Como Georreferenciar Imagens no ArcGIS: guia prático passo a passo

Transformar uma foto, mapa escaneado ou imagem sem referência espacial em um dado geográfico utilizável é uma habilidade essencial para qualquer profissional de geoprocessamento.

O georreferenciamento é o processo que permite associar pontos de uma imagem às suas coordenadas reais no território.

A partir disso, essa imagem passa a poder ser visualizada, consultada e analisada junto com outros dados GIS.

Na prática, é isso que viabiliza:

  • comparar mapas históricos com a realidade atual
  • sobrepor plantas técnicas a bases cartográficas
  • integrar imagens externas ao seu projeto ArcGIS
  • transformar imagens “soltas” em inteligência territorial

O que é georreferenciamento?

Imagens podem vir de muitas fontes: satélites, drones, fotografias aéreas ou mapas escaneados.

Algumas já possuem localização aproximada.

Outras — especialmente mapas antigos e desenhos técnicos — simplesmente não sabem onde estão no mundo.

Georreferenciar é exatamente isso:

dizer ao ArcGIS onde cada parte da imagem fica no território real.

Depois desse processo, a imagem deixa de ser apenas visual e passa a ser informação espacial, podendo ser usada em análises, mapas e decisões.

 

Quando o georreferenciamento é necessário?

Você normalmente vai precisar georreferenciar quando trabalhar com:

  • mapas históricos escaneados
  • fotografias aéreas antigas
  • imagens exportadas de visualizadores externos
  • plantas baixas e desenhos técnicos
  • qualquer raster sem sistema de coordenadas definido

Antes de começar: o que você precisa ter em mãos

Antes de abrir o ArcGIS Pro, confira este checklist:

✅ a imagem não georreferenciada (JPEG, TIFF ou PNG)

✅ dados de referência já posicionados (shapefiles, feature classes ou basemap)

✅ pelo menos 3 pontos identificáveis em comum entre imagem e mapa

✅ sistema de coordenadas definido para o projeto

Dica importante: sempre trabalhe com uma cópia da imagem original.

O fluxo oficial do georreferenciamento no ArcGIS Pro

A Esri define quatro etapas principais:

  • adicionar o raster
  • criar pontos de controle
  • revisar os erros
  • salvar o resultado

Vamos ver cada uma na prática.

 

Passo a passo no ArcGIS Pro

1. Configuração inicial do mapa

  • Abra o ArcGIS Pro e crie um novo mapa.
  • Adicione primeiro seus dados de referência (vetores ou basemap).
  • Seleção do basemap Imagery no ArcGIS Pro para uso como camada de referência durante o georreferenciamento.
    Seleção do basemap Imagery no ArcGIS Pro para uso como camada de referência durante o georreferenciamento.

    Interface do ArcGIS Pro exibindo imagem raster não georreferenciada sobre basemap, com painel Contents mostrando camadas vetoriais usadas como referência espacial.
    Interface do ArcGIS Pro exibindo imagem raster não georreferenciada sobre basemap, com painel Contents mostrando camadas vetoriais usadas como referência espacial.
  • Em seguida, adicione a imagem não georreferenciada.

Ela provavelmente aparecerá deslocada — isso é normal.

Adicionar os dados corretos primeiro garante que o mapa já esteja com o sistema de coordenadas certo.

 

2. Abrindo a ferramenta Georeference

  • Selecione o raster no painel Contents.
  • Vá à guia Imagery.
  • Clique em Georeference.
  • Use Fit to Display para trazer a imagem para dentro da área visível do mapa.

Mapa histórico escaneado sendo georreferenciado no ArcGIS Pro, com painel Contents exibindo camadas de referência e raster selecionado.

3. Criando pontos de controle (o coração do processo)

Aqui acontece a parte mais importante.

  • Clique em Add Control Points.
  • Clique primeiro em um ponto da imagem.
  • Depois clique no mesmo local nos dados de referência.

Cada par forma um ponto de controle.

Bons exemplos de pontos:

  • cruzamentos de ruas
  • esquinas de quadras
  • encontros de rios
  • limites de campos agrícolas
  • cantos de construções bem definidas
Boas práticas essenciais
  • distribua pontos pelas bordas e pelo centro
  • evite concentrar tudo em um canto
  • prefira feições no solo (não elevadas)
  • use bastante zoom para posicionar com precisão

4. Conferindo a qualidade com o erro RMS

Abra Control Point Table (grupo Review).

Você verá:

  • cada ponto criado
  • seus resíduos
  • o erro RMS

Pense no RMS como um “termômetro de alinhamento”:

  • quanto menor, melhor
  • valores altos indicam pontos mal posicionados
  • Se algum ponto estiver ruim, delete e refaça.

Atenção: RMS baixo ajuda, mas não garante perfeição. Pontos bem distribuídos e bem escolhidos são mais importantes.

 

Quantos pontos de controle usar?

Tecnicamente: mínimo: 3 pontos (Affine)

Na prática profissional:

  • recomendado: 4 a 6 bem distribuídos
  • projetos mais complexos: 10 ou mais

Regra de ouro: qualidade > quantidade.

 

Escolhendo o tipo de transformação

O ArcGIS Pro oferece várias transformações. As principais são:

Affine (1ª ordem)

Use na maioria dos casos.
Permite deslocar, girar e escalar a imagem.

2ª e 3ª ordem

Indicadas quando a imagem está levemente curvada ou deformada (mapas antigos).

Spline

Força a imagem a passar exatamente pelos pontos.
Ótima precisão local, mas pode distorcer áreas distantes.

Projective

Muito usada para imagens oblíquas ou mapas fotografados.

Dica prática: comece sempre com Affine. Só mude se perceber distorções.

 

Salvando o resultado

Você tem duas opções principais:

Save / Update Georeferencing

Grava apenas arquivos auxiliares (.aux / world file).
A imagem original não é alterada.

Save As New / Rectify

Cria um novo raster já georreferenciado.

Se for usar a imagem em análises ou em outros softwares, prefira Save As New.

Depois, clique em Close Georeference.

 

Quando a imagem não tem grade de coordenadas

O processo é o mesmo — você apenas depende totalmente dos dados externos:

  • adicione primeiro o shapefile ou basemap
  • depois a imagem
  • use Fit to Display
  • identifique feições comuns
  • crie os pontos normalmente

Quanto maior a sobreposição entre imagem e dados de referência, melhor tende a ser o resultado.

 

Erros comuns de quem está começando

Evite estes deslizes clássicos:

  • usar poucos pontos
  • concentrar pontos em um só lado
  • confiar apenas no RMS sem revisar visualmente
  • esquecer de definir o sistema de coordenadas
  • não gerar novo raster quando vai fazer análise

 

Mini-glossário rápido

Raster – imagem formada por pixels

Ponto de controle – par de locais entre imagem e mapa

RMS – indicador de consistência do ajuste

Affine (1ª ordem) – transformação básica de deslocamento, rotação e escala

Rectify / Save As New – criação de novo raster georreferenciado

 

Aplicações práticas do georreferenciamento

No dia a dia profissional, essa técnica é usada em:

  • planejamento urbano (comparação histórica da ocupação)
  • gestão ambiental (mudanças na cobertura vegetal)
  • agricultura (integração de mapas rurais com imagens)
  • patrimônio histórico (digitalização de plantas antigas)

Georreferenciar imagens no ArcGIS Pro é um processo técnico, mas totalmente acessível quando dividido em etapas simples:

  • adicionar a imagem
  • criar pontos de controle
  • revisar o RMS
  • salvar o resultado

Ao dominar esse fluxo, você passa a integrar mapas históricos, plantas técnicas e imagens diversas ao seu ambiente GIS — ampliando drasticamente suas possibilidades de análise.

É assim que transformamos imagens em dados.
E dados em decisões.

Na prática, é mais uma forma de ver além do hoje com inteligência geográfica.

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