O setor de mineração é marcado por ativos extensos, atividades em campo, exigências regulatórias e alta complexidade operacional, a geotecnologia tem se consolidado como uma aliada estratégica para integrar informações, reduzir retrabalho, ampliar a rastreabilidade e apoiar a tomada de decisão em tempo real.
Os cases a seguir mostram como alguns dos nossos clientes vêm utilizando soluções GIS para evoluir suas operações, fortalecer a governança de dados e tornar a mineração mais conectada, sustentável e segura.

Mosaic Fertilizantes: Gestão Geoespacial das Operações de Mineração
A Mosaic Fertilizantes, maior produtora combinada de fosfato e potássio no Brasil, precisava aprimorar a gestão das informações georreferenciadas utilizadas em suas operações de mineração.
Dentro de uma empresa com operações complexas, atividades distribuídas em diferentes horizontes de planejamento e ativos de grande extensão, como o mineroduto de 123 km que conecta Tapira a Uberaba, havia a necessidade de tornar os dados mais acessíveis, integrados e disponíveis em tempo real.
Antes das ferramentas geoespaciais, alguns processos dependiam de etapas manuais, uso de papel, mapas físicos, reuniões presenciais para alinhamento, montagem de cronogramas e conferências em campo. Isso gerava maior tempo de resposta, retrabalho e demora na consolidação das informações.
Entre os principais desafios estavam:
- Necessidade de consolidar informações georreferenciadas de diferentes áreas da empresa;
- Demora na coleta, validação e pós-processamento dos dados de campo;
- Dificuldade de acompanhar em tempo real as informações coletadas em campo;
- Necessidade de maior agilidade nas tratativas e na tomada de decisão;
- Gestão de ativos extensos, como o mineroduto de 123 km entre Tapira e Uberaba;
- Necessidade de manter informações prontamente disponíveis para órgãos reguladores e obrigações relacionadas à declaração de recursos e reservas;
- Integração dos planejamentos de curto, médio e longo prazo em uma base estruturada e confiável.
Solução:
A solução foi construída a partir do uso do ArcGIS Online como plataforma central para integração, visualização e gestão dos dados georreferenciados da Mosaic Fertilizantes.
A empresa passou a utilizar a tecnologia principalmente na construção de um plano diretor de mineração, incorporando informações relacionadas às atividades de curto, médio e longo prazo, além de dados necessários para a declaração de recursos e reservas.
No caso do mineroduto entre Tapira e Uberaba, a Mosaic passou a usar ferramentas que otimizam o processo de inspeção, coleta de dados, planejamento de atividades e acompanhamento das demandas de campo.
A solução permitiu:
- Atividades antes realizadas com maior dependência de encontros presenciais, cronogramas manuais e verificações posteriores fossem executadas de forma mais integrada e remota.
- Com a coleta digital em campo, que os dados sejam enviados diretamente para a base do ArcGIS Online, alimentando automaticamente dashboards e painéis de acompanhamento
- Redução significativa do tempo de pós-processamento, que antes levava aproximadamente 5 a 6 dias e passou a ser realizado em cerca de 20 a 30 minutos, além de economia de processo superior a 50%.
Com uma operação mais conectada, onde os dados coletados em campo são disponibilizados rapidamente para as equipes, a organização obteve mais celeridade, rastreabilidade e eficiência nos processos.

Hydro Paragominas: Smart Mining GIS no Controle de Qualidade da Lavra de Bauxita
A Hydro Paragominas, uma das maiores minas de bauxita do mundo, enfrentava um desafio crítico na etapa de controle de qualidade da lavra: garantir maior assertividade na identificação dos limites da camada de minério, reduzindo perdas e diluição ao longo da operação.
A equipe de controle de qualidade atuava em campo durante turnos de 12 horas, em diferentes condições operacionais, orientando a lavra e registrando manualmente as informações em papel e prancheta. Esse modelo gerava alguns desafios como:
- Baixa agilidade no acesso às informações, já que os dados só eram consolidados e compartilhados ao final do turno.
- Rastreabilidade limitada, com registros manuais e dificuldade de consulta histórica estruturada.
- Tomada de decisão pouco dinâmica, pois gestão e áreas clientes não tinham visibilidade em tempo real do que acontecia em campo.
- Dependência de múltiplas fontes e sistemas, dificultando o acesso dos técnicos a dados essenciais, como informações do modelo geológico.
- Necessidade de maior precisão operacional, considerando que a lavra oferece apenas uma oportunidade para aproveitamento adequado do recurso mineral.
Com a implementação do projeto Smart Mining GIS, utilizando a plataforma ArcGIS Online e seus aplicativos de campo, foi possível transformar o fluxo de trabalho da equipe. A solução integrou mapas operacionais, coleta digital de dados, formulários inteligentes, dashboards gerenciais e informações do modelo geológico em uma única estrutura digital e georreferenciada.
Entre os principais componentes da solução estão:
- Mapa operacional da mina, disponível em modo online e offline, com frentes de lavra, acessos, limites de platôs e demais informações críticas para a operação.
- Camadas geoespaciais no Field Maps, substituindo os blocos do antigo relatório manual por registros digitais em campo.
- Formulários utilizados para controles que exigiam critérios adicionais, condicionantes e registros fotográficos.
- Integração com dados do modelo geológico, permitindo que técnicos consultassem em campo informações como teor, espessura de minério, alumínio aproveitável e sílica reativa.
- Dashboards, consolidando os dados coletados em tempo real e disponibilizando relatórios, mapas e indicadores para gestão e áreas clientes.
Com essa transformação, a equipe passou a registrar informações diretamente em campo, com georreferenciamento, sincronização em tempo real e armazenamento centralizado em banco de dados seguro e rastreável.

Vale: Criando um Hub de dados corporativos
A Vale precisava consolidar e governar o uso de dados georreferenciados em suas operações, projetos e estudos minerais, garantindo uma base confiável para análises espaciais e desenvolvimento de soluções de inteligência geográfica.
Ao longo dos anos, o uso de geotecnologias cresceu dentro da companhia, mas também trouxe desafios importantes, como:
- Existência de diferentes sistemas de coordenadas em uso;
- Necessidade de centralizar e padronizar bases geográficas;
- Risco de duplicidade de dados e perda de rastreabilidade;
- Demanda por maior autonomia das áreas usuárias sem comprometer a integridade das informações;
- Necessidade de capacitação contínua dos usuários;
- Gestão de grande volume de dados, serviços, imagens, dashboards e aplicações geográficas.
A solução foi a implementação do GIS Mineral, um sistema GIS corporativo desenvolvido na plataforma Esri, estruturado para apoiar operações, projetos e estudos da Vale com uma base de dados confiável, integrada e governada.
O projeto evoluiu de uma base técnica de geoprocessamento para um ambiente corporativo aberto, com regras claras de governança. Essa governança busca equilibrar a autonomia das áreas usuárias com a qualidade, rastreabilidade e integridade dos dados.
A solução contempla:
- Estruturação de uma base corporativa de dados geográficos;
- Definição de premissas, papéis, responsabilidades e boas práticas de uso;
- Padronização dos fluxos de cadastro, publicação e compartilhamento de dados;
- Classificação dos dados por tema e disciplina, evitando duplicidades;
- Gestão automatizada do ambiente para monitorar atualizações e conteúdos;
- Capacitação dos usuários conforme seus níveis de acesso e permissão;
- Disponibilização de dados, serviços vetoriais, imagens, dashboards, sites e aplicações web ou mobile.
Com isso, os usuários passaram a acessar informações geoespaciais de forma mais confiável e estruturada, utilizando o ambiente para criar painéis, aplicações e análises que apoiam diferentes áreas da empresa.

Vale: Caracterização dos territórios e comunidades com interface em áreas de inundação de barragens
Neste contexto, a Vale precisava caracterizar, de forma ágil e precisa, territórios e comunidades localizados em áreas de interface com barragens, especialmente nas zonas previstas nos Planos de Ação de Emergência para Barragens de Mineração, os PAEBMs.
O desafio era reunir e qualificar informações sobre pessoas, edificações, estruturas de interesse e locais com potencial de aglomeração nas áreas de inundação, apoiando o atendimento legal e, principalmente, a proteção e preservação de vidas.
Entre os principais desafios estavam:
- Identificar populações e estruturas presentes nas áreas de ZAS e ZSS;
- Integrar dados de diferentes fontes públicas, privadas e internas;
- Mapear locais com potencial de aglomeração, como praças, campos, parques e áreas de eventos;
- Gerar bases confiáveis para compor os planos de ação de emergência;
- Aumentar a agilidade e a assertividade das análises territoriais;
- Disponibilizar informações qualificadas para áreas como sustentabilidade, meio ambiente, emergência e PAEBM.
Como solucionamos:
A solução uniu inteligência geográfica, inteligência artificial e análise de dados para construir uma base integrada de caracterização dos territórios e comunidades em áreas de possível inundação.
Foram utilizadas imagens de alta resolução, algoritmos de inteligência artificial, bases públicas e dados primários para identificar, classificar e consolidar informações sobre pessoas, residências, edificações e equipamentos de interesse. A partir dessas análises, foi possível gerar uma visão mais precisa das áreas abrangidas pelos estudos.
A solução contemplou:
- Uso de GIS para estruturar e espacializar as informações dos territórios;
- Aplicação de inteligência artificial para identificar telhados, edificações e áreas com potencial de aglomeração;
- Integração de bases como CNPJ, Aneel, Copasa, Inep, instituições públicas, hospitais, farmácias, segurança pública, turismo e educação;
- Estimativa da quantidade de pessoas por território;
- Tratamento, padronização e validação dos dados em uma base única;
- Disponibilização das informações em aplicações corporativas da Vale;
- Geração de entregáveis em formatos como Excel, file geodatabase e dados vetoriais.
O resultado foi uma base robusta e padronizada para apoiar os Planos de Ação de Emergência, com informações territoriais mais completas, acessíveis e atualizadas.
O papel da inteligência geográfica
Como podemos observar nos cases citados no artigo, inteligência geográfica deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio técnico para se tornar uma plataforma estratégica de transformação na mineração. Seja na gestão de ativos extensos, no controle de qualidade da lavra, na governança de bases corporativas ou na caracterização de territórios para proteção de comunidades, o GIS permite conectar dados, equipes e decisões em um mesmo ambiente.
Com informações mais acessíveis, confiáveis e integradas, as empresas ganham eficiência operacional, reduzem riscos e fortalecem sua capacidade de planejar, agir e responder aos desafios de um setor cada vez mais orientado por dados.
Quer entender como aplicar essas soluções na sua operação?

