GIS e BI na prática: 4 casos de integração de dados e sistemas

De Business Intelligence e Big Data a dados de mobilidade e gestão pública: revisitamos quatro casos apresentados pela Imagem Geosistemas para entender como a integração entre dados e localização evoluiu. 

Ricardo Cruz e Guerra em ambiente de escritório de terno verde

Ricardo Cruz e Guerra

Especialista em Marketing de Conteúdo e Inovação

Os dados que uma organização precisa para tomar uma decisão raramente estão todos no mesmo lugar. 

Indicadores podem estar em uma ferramenta de Business Intelligence. Informações comerciais, em sistemas corporativos. Dados operacionais, em outras bases. Ativos e ocorrências, no GIS. E novas fontes continuam surgindo à medida que as organizações ampliam sua capacidade de coletar e analisar informações. 

O desafio aparece quando uma decisão depende de informações que estão distribuídas entre esses ambientes. 

Mas integrar não significa necessariamente colocar tudo dentro de um único sistema. 

A integração entre GIS, BI e sistemas corporativos permite combinar dados geográficos, indicadores de negócio e informações operacionais para analisar não apenas o que está acontecendo, mas onde acontece e como diferentes informações se relacionam no território. 

Ao longo dos últimos anos, diferentes projetos apresentados pela Imagem Geosistemas ajudaram a mostrar essa evolução. 

Revisitamos quatro desses momentos para entender como GIS, BI, Big Data e inteligência de localização vêm se aproximando — e o que mudou desde então. 

Como GIS, BI e sistemas corporativos podem ser integrados? 

A integração pode acontecer de diferentes formas. 

Mapas e análises espaciais podem fazer parte dos ambientes de BI. Informações corporativas podem ser relacionadas a dados geográficos. Diferentes plataformas podem consumir informações de outras fontes. E ambientes analíticos podem incorporar recursos geoespaciais sem exigir que todos os dados sejam transferidos para um único sistema. 

No ecossistema Microsoft, por exemplo, essa integração hoje alcança o Microsoft Fabric.

A Esri disponibiliza recursos para mapear dados onde estão armazenados, realizar análises geoespaciais e levar os resultados ao Power BI e ao ArcGIS.

Os quatro casos a seguir ajudam a mostrar como essa relação evoluiu na prática. 

  1. ArcGIS e Power BI: como a localização amplia o Business Intelligence

Gráficos, tabelas e indicadores são fundamentais para acompanhar o desempenho de uma organização. 

Mas há perguntas que ganham uma nova dimensão quando acrescentamos uma variável: onde? 

Onde estão os melhores resultados? Em quais regiões determinado indicador está concentrado? O que existe ao redor de uma unidade? Há algum padrão territorial que uma tabela não revela? 

A integração entre ArcGIS e Microsoft Power BI ajudou a aproximar esses dois universos. 

Em um conteúdo produzido pela Imagem Geosistemas há alguns anos, mostramos na prática o ArcGIS Maps for Power BI, nome utilizado à época para a integração entre recursos geográficos do ArcGIS e o Microsoft Power BI. O vídeo abaixo registra esse momento da evolução da tecnologia.

O vídeo registra um momento importante dessa evolução. Hoje, porém, essa relação já vai além da presença de um mapa dentro de um dashboard. 

O ArcGIS for Microsoft Fabric integra mapeamento e análise espacial diretamente ao ambiente Microsoft Fabric.

Atualmente, esse ecossistema reúne ArcGIS for Power BI, ArcGIS Maps for Microsoft Fabric e ArcGIS GeoAnalytics for Microsoft Fabric.

Com o ArcGIS for Power BI, dados com atributos de localização podem ser visualizados em mapas interativos junto a gráficos e tabelas.

Já no Microsoft Fabric, é possível mapear dados onde estão armazenados, enriquecê-los com contexto geográfico e utilizar recursos de análise espacial em fluxos de dados de diferentes escalas.

A discussão, portanto, deixa de ser apenas “como colocar um mapa no BI?”. 

Ela passa a incluir outra pergunta: 

Como incorporar a análise espacial ao próprio ecossistema corporativo de dados? 

  1. Vivo: Geomarketing, BI e Big Data aplicados à análise territorial

Outro registro dessa trajetória aparece em um case apresentado pela Vivo. 

Na experiência compartilhada com a Imagem Geosistemas, a discussão aproximava Geomarketing, BI e Big Data, mostrando como a dimensão geográfica poderia acrescentar contexto às informações utilizadas pela organização. 

O interessante é observar como a relação entre grandes volumes de dados e localização continua encontrando novas aplicações. 

Atualmente, a Vivo Empresas apresenta o Smart Steps, conjunto de soluções de Big Data que trabalha com dados anonimizados e agregados para produzir informações sobre comportamento e mobilidade. 

No varejo, essas informações podem ajudar a analisar regiões para abertura de novos pontos de venda, reposicionamento de unidades e presença de concorrentes.

Já o Smart Steps Trânsito utiliza informações de mobilidade para apoiar planejamento de transportes, análise de origem e destino e gerenciamento de tráfego. 

A própria Vivo apresentou em 2025 aplicações do Smart Steps relacionadas ao uso de inteligência de localização e dados geoespaciais para mobilidade e turismo. 

Não estamos afirmando que essas soluções representam uma continuidade técnica do projeto ArcGIS apresentado no vídeo. 

O que a comparação permite observar é a permanência de uma lógica importante:

quando grandes volumes de dados ganham contexto territorial, novas perguntas podem ser feitas sobre mercados, deslocamentos, públicos e oportunidades. 

O dado deixa de responder apenas quem, quanto ou quando. 

A localização acrescenta o onde. 

  1. Claro: Location Intelligence, 5G e dados de mobilidade

No setor de Telecom, outro exemplo ajuda a mostrar essa transformação. 

Em um case apresentado pela Imagem Geosistemas, a Claro mostrou como ArcGIS e Location Intelligence apoiaram análises relacionadas à estratégia para o leilão do 5G. 

A localização participava da compreensão do mercado e do território relacionado à implantação daquela nova infraestrutura. 

Hoje, a dimensão geográfica também aparece em outras aplicações de dados da companhia. 

O Claro Geodata, por exemplo, reúne informações de telefonia móvel para analisar movimentos de pessoas em determinados locais e horários, além da origem e do destino dos deslocamentos. 

A solução apresenta aplicações relacionadas à abertura de lojas, marketing, eventos, turismo e planejamento urbano. Em mobilidade, os deslocamentos entre regiões podem formar matrizes de origem e destino para apoiar análises de infraestrutura de transporte. 

Novamente, não se trata de afirmar que o Claro Geodata seja uma evolução direta do projeto ArcGIS apresentado no vídeo. 

O que podemos observar é algo mais amplo:

a localização continua sendo uma dimensão relevante para transformar grandes volumes de dados em contexto sobre o comportamento do território. 

Se antes acompanhávamos um exemplo ligado a uma decisão estratégica sobre infraestrutura de telecomunicações, hoje encontramos outras aplicações que relacionam localização, deslocamentos e decisões de negócio. 

  1. Prefeitura do Recife: ArcGIS Dashboards e dados geográficos na gestão pública

A integração de informações também pode ser observada na gestão pública. 

Em 2023, a Prefeitura do Recife apresentou no Encontro de Usuários Esri Brasil um caso de uso do ArcGIS Dashboards.

Na ocasião, Alexandre Gonçalves, gerente de Geoprocessamento da Prefeitura, mostrou como a ferramenta era utilizada para monitoramento de informações e apoio à tomada de decisão na gestão municipal.

Esse registro também permite olhar para aplicações geográficas disponíveis atualmente no município. 

O ESIG Drenagem, por exemplo, disponibiliza informações sobre redes de drenagem, abastecimento de água e esgotamento sanitário. Segundo a Prefeitura, a plataforma apoia a consulta e o planejamento de ligações dessas redes para empreendimentos e edificações. 

Conheça o ESIG Drenagem da Prefeitura do Recife 

Em 2026, o ambiente ArcGIS da Prefeitura também mantém um serviço de Macrodrenagem 2026 que reúne camadas de planejamento de limpeza, bacias hidrográficas, rios e riachos. 

No planejamento de limpeza, os trechos podem ser classificados como programados, em andamento ou concluídos, associando informação territorial ao acompanhamento das atividades. 

Aqui aparece outra evolução importante. 

Um dashboard não precisa ser o destino final dos dados. 

Ele pode ser uma das formas pelas quais informações de diferentes fontes se tornam acessíveis para acompanhamento, análise e planejamento. 

O que esses quatro casos têm em comum? 

Power BI, Big Data, dados de mobilidade e gestão municipal parecem contextos bastante diferentes. 

Mas existe algo conectando todos eles: 

a localização pode funcionar como uma chave para relacionar informações. 

Um endereço pode se relacionar a uma unidade. 

Uma coordenada pode representar um ativo. 

Uma região pode concentrar determinados indicadores. 

Um deslocamento pode revelar padrões de mobilidade. 

Uma rede de drenagem pode ser relacionada a rios, bacias, edificações e outras características do território. 

É justamente essa capacidade de relacionar o que acontece com onde acontece que permite ao GIS participar de arquiteturas de informação cada vez mais amplas. 

Integrar dados significa centralizar informações? 

Não. 

Essa talvez seja uma das principais lições da evolução que esses casos ajudam a demonstrar. 

Uma organização não precisa necessariamente mover todas as suas informações para uma única plataforma para construir análises integradas. 

Cada sistema pode continuar cumprindo sua função. 

O BI pode acompanhar indicadores. Sistemas corporativos podem gerenciar processos. Bancos de dados podem armazenar grandes volumes de informação. Aplicações especializadas podem atender necessidades específicas. 

O GIS acrescenta outra dimensão a esse ambiente: a possibilidade de utilizar a localização para encontrar relações espaciais entre essas informações. 

A evolução tecnológica tem tornado essa aproximação cada vez mais direta. No Microsoft Fabric, por exemplo, recursos atuais do ArcGIS permitem trabalhar com dados onde estão armazenados, combiná-los com contexto geográfico e realizar análises espaciais dentro dos fluxos analíticos. Esri 

Integração entre GIS, BI e dados corporativos ilustrada por ArcGIS, Power BI, Vivo, Claro e Prefeitura do Recife.

Em resumo 

GIS + BI: acrescenta localização e análise espacial aos indicadores de negócio. 

GIS + Big Data: permite investigar padrões espaciais em grandes volumes de informação. 

GIS + sistemas corporativos: ajuda a relacionar informações operacionais e geográficas. 

Integração: permite que diferentes fontes participem de uma análise sem exigir, necessariamente, que tudo esteja armazenado no mesmo sistema. 

Como começar uma estratégia de integração de dados com GIS? 

Antes de escolher uma tecnologia, vale começar pela pergunta que precisa ser respondida. 

Quais decisões hoje exigem buscar informações em diferentes sistemas? 

A partir daí, algumas perguntas ajudam a estruturar o processo. 

Onde estão os dados necessários? 

GIS, BI, ERP, CRM, bancos de dados, aplicações de campo ou outras fontes? 

Qual sistema é responsável por cada informação? 

Definir a fonte ajuda a evitar duplicidades e versões conflitantes. 

Existe um elemento capaz de relacionar os registros? 

Um código de ativo, endereço, coordenada, unidade, região ou outro identificador pode ajudar a estabelecer conexões. 

Com que frequência essas informações precisam ser atualizadas? 

Nem toda integração precisa acontecer em tempo real. 

Como o usuário precisa consumir o resultado? 

Em um mapa? Dashboard? Aplicação? Relatório? Sistema corporativo? 

Começar por uma pergunta concreta ajuda a evitar um erro comum: integrar sistemas simplesmente porque a integração é tecnicamente possível. 

A tecnologia deve acompanhar a necessidade de negócio — e não o contrário. 

Do mapa integrado à inteligência integrada 

Revisitar esses quatro casos também mostra como a própria ideia de integração evoluiu. 

Em determinado momento, colocar informações corporativas sobre um mapa já representava um grande avanço. 

Depois, mapas passaram a fazer parte dos ambientes de BI. 

Big Data ampliou a escala das análises. 

Dados de mobilidade trouxeram novas formas de compreender comportamentos territoriais. 

E ambientes corporativos de dados passaram a incorporar capacidades geoespaciais de maneira cada vez mais próxima dos demais fluxos analíticos. 

O próximo passo não é necessariamente criar mais um sistema. 

É fazer com que as informações que a organização já possui consigam conversar quando uma pergunta exigir contexto geográfico. 

Porque integrar dados não significa fazer tudo morar no mesmo lugar. 

Significa fazer a informação certa se encontrar no momento em que uma decisão precisa ser tomada. 

Perguntas frequentes sobre GIS, BI e integração de dados 

Qual é a diferença entre GIS e BI? 

Business Intelligence ajuda organizações a acompanhar indicadores, métricas, tendências e desempenho. O GIS acrescenta a dimensão geográfica, permitindo analisar onde os fenômenos acontecem e quais relações espaciais existem entre diferentes informações. 

As duas abordagens podem ser complementares. 

É possível integrar ArcGIS e Power BI? 

Sim. O ArcGIS for Power BI permite incorporar mapas e contexto geográfico aos relatórios do Power BI. Atualmente, a integração da Esri com o ecossistema Microsoft também alcança o Microsoft Fabric por meio do ArcGIS Maps for Microsoft Fabric e do ArcGIS GeoAnalytics for Microsoft Fabric. Esri 

É preciso centralizar todos os dados para integrar GIS e sistemas corporativos? 

Não. Dependendo da arquitetura adotada, diferentes sistemas podem continuar responsáveis por suas próprias informações e disponibilizá-las para outros ambientes quando necessário. 

O objetivo da integração não precisa ser reunir tudo em uma única plataforma, mas permitir que dados relevantes possam ser relacionados quando uma análise ou decisão exigir. 

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