Ciência Geoespacial a favor da transparência na gestão da origem de carnes e grãos

Conheça a Tecnologia Geoespacial ArcGIS para rastreamento sustentável da cadeia da produção agropecuária e do agronegócio
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Jeferson Cruz

Marketing

Visão de mercado e a importância da gestão da originação

Recentemente algumas empresas foram apontadas por irregularidades em suas cadeias de gestão da origem de cortes bovinos e grãos, podendo até ter origem em áreas de desmatamento e terras indígenas irregulares, mas antes de entrarmos no tema central, vamos entender a economia agropecuária.

Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor de alimentos e fibras do mundo, perdendo somente para a China e os EUA. O país já é o segundo maior exportador do agronegócio global, tornando o setor um dos pilares da economia nacional.

E é esse setor que lidera as exportações, representando em média 48% dos produtos exportados. No comércio exterior, de janeiro a dezembro de 2022, as exportações brasileiras de produtos agropecuários somaram US$ 148,3 bilhões, superando em 23,1% o total vendido em todo o ano de 2021, de US$ 120,5 bilhões. Mesmo sendo um ano marcado por adversidades, 2022 mostrou sua potência de ser o setor combustível para o Brasil. De janeiro a dezembro de 2022, o Brasil exportou 1,996 milhão de toneladas de carne bovina in natura, 28% acima do volume de 2021 e 15,7% superior ao até então recorde, registrado em 2020 (quando 1,75 milhão de toneladas de carne foram embarcadas pelo País).

O desafio de como alimentar o mundo

Com o advento da pandemia de Covid-19, houve uma grande incógnita e uma ruptura na cadeia de abastecimento logístico de todas as indústrias, pois mudaram drasticamente o perfil de consumo instantaneamente, com isso trouxeram diversos temas à discussão, por exemplo, como garantir disponibilidade de alimentos à população? Com qual custo? Essas são somente algumas questões para balizar o entendimento.

A cada dia, mais pessoas entendem que o consumo diário impacta diretamente a crise climática e consequentemente a produção de alimentos. Nesse contexto, muitos também estão mais preocupados com o impacto ambiental e, claro, com sua própria saúde, relacionado a sua alimentação: a proporção de dietas à base de plantas aumentou visivelmente durante a pandemia de Covid-19 (Wood 2021). O consumidor questiona qual caminho seu alimento percorreu e quais etapas (de produção) antecederam o produto no supermercado. Para muitas pessoas, a carne, em particular a bovina, desempenha um papel importante em sua dieta e, portanto, estão mais preocupados sobre a origem deste alimento. A crise do Corona encorajou muitas pessoas a questionarem seus comportamentos de consumo de alimentos e a já mencionada “jornada” de sua alimentação: até 20% dizem que estão intensificando o consumo de alimentos fruto de agricultura familiar ou regionais (BMEL 2021).

Tudo isso porque a agropecuária é responsável por uma grande parcela de desmatamento, portanto não basta ampliar as fazendas de gado para suprir a demanda, pois para isso terá de desmatar, então não é simples. Sendo assim, a pressão por mudanças e rastreio da cadeia alimentar aumenta ano pós ano.

Por que Sustentabilidade? E a pressão por mudanças.

ODS ou Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
  • Diminuição de desmatamentos
  • Reduzir ritmo de mudanças climáticas e melhoria da qualidade do ar
  • Garantir produção de alimentos
  • Preservação da água e de recursos naturais
  • Atenção a questões sociais e econômicas

Todas essas são questões que refletem diretamente na qualidade e manutenção da vida humana e do planeta. Por séculos, esses assuntos permaneceram fora de pauta e nos colocaram em uma situação em que, se nenhuma medida for adotada, enfrentaremos esgotamentos de recursos naturais, mudanças climáticas mais bruscas, colapso ambiental e, consequentemente, um processo de extinção em massa que não poupará os seres humanos.

Nesta nova era de comércio e consumo responsável, os executivos são pressionados a crescer e, ao mesmo tempo, abordar a equidade social e a sustentabilidade ambiental.

Para cumprir os objetivos de desenvolvimento sustentável, as organizações podem e devem estabelecer além de exigir alguns critérios para os fornecedores e parceiros, como por exemplo: TRANSPARÊNCIA NA CADEIA DE SUPRIMENTOS, POLÍTICAS SOCIAIS, PROGRAMAS DE REDUÇÃO NA EMISSÃO DE CARBONO, CONSUMO D’ÁGUA E POLÍTICA DE RESÍDUOS.

Para isso, o GIS é fundamental e essencial no apoio direto à gestão, monitoramento e suporte ações de desenvolvimento sustentável. O GIS nos permite entender melhor essas questões e medir o progresso de soluções coletivas”. Palavras de Jack Dangermond, fundador da Esri, fornecedora do software ArcGIS.

Tecnologia Geoespacial a favor do rastreamento sustentável da cadeia da produção agropecuária e do agronegócio

A cadeia da carne é muito complexa, extensa e pode envolver diversas fazendas e produtores até chegar a um frigorifico certificado pelas empresas. Posteriormente, é destinada a unidade fabril para setor de embalagens e só depois são entregues aos varejistas que comercializam o produto final. Por se tratar de uma cadeia complexa, pode ocorrer que algum elo não cumpra com as determinações de boas práticas sustentáveis e condições trabalhistas. Portanto, conhecer a procedência do que nos alimentamos é fundamental para que não sejamos financiadores indiretos de práticas ilegais e que prejudicarão todo o ecossistema, por exemplo, desmatamento. Aliás, você sabia que a pecuária é principal causa do desmatamento? Portanto, não financie o desmatamento.

Recentemente, tivemos casos envolvendo gigantes do setor varejistas como Carrefour, JBS, Masterboi, Marfrig, entre outros, que foram revelados através do aplicativo “do pasto ao prato”, que realiza vasta fiscalização sobre originação de carnes e grãos e tem por objetivo construir ferramentas que revelem de onde vem a sua comida. Por meio de uma iniciativa participativa, é possível melhorar a transparência das cadeias de abastecimento em todo o mundo.

Dispondo de mais informações, iniciativas privadas, públicas e da sociedade civil poderão desenhar ações e intervenções que sejam mais efetivas dentro do setor. Construiremos juntos uma cadeia de alimentos mais ética e sustentável.

Nesse último apontamento, destacou-se que algumas carnes comercializadas em estabelecimentos dessas bandeiras em determinadas regiões do Brasil, apresentam origem de alto risco de desmatamento ou em terras indígenas irregulares. Análise feita com exclusividade pela Repórter Brasil com base nos dados do aplicativo mostra que ao menos 26 plantas produtivas localizadas na Amazônia Legal abasteceram as prateleiras do Carrefour em 2022.

Em resposta ao questionamento às redes, elas informaram que já há algum tempo (para ser mais preciso em 2016) intensificaram e estabeleceram diversas regras para aptidão dos fornecedores, sendo uma delas o uso de sistemas de informações geográficas (SIG) contando com análises espaciais, socioambientais que atendam aos critérios do grupo Carrefour, a citar:  propriedades que atendam aos critérios socioambientais (desmatamento, embargos, licença ambiental, lista de trabalho escravo, sobreposição de unidades de conservação e/ou terras indígenas e/ou quilombolas) da política de compra de carne do Grupo Carrefour.

O Grupo ainda citou que somente adquire produtos (carnes e outros produtos) se o fornecedor atender aos requisitos, como:

  • Possuir um sistema próprio de geomonitoramento via satélite para analisar as fazendas antes de efetuar a compra de gado e só adquirir animais daquelas propriedades que atendam aos critérios;
  • Submeter a análise de geomonitoramento aos critérios do Protocolo Boi na Linha, iniciativa da Imaflora em parceria com o Ministério Público Federal;
  • Enviar ao Grupo, a cada lote de carne, os dados e as coordenadas das fazendas originárias (CAR – Cadastro Ambiental Rural) e GTA (Guia de Trânsito Animal);
  • Estar ciente de que o Grupo reanalisará todas as fazendas originárias por meio de seu próprio sistema de geomonitoramento;
  • Em caso de identificação de fazendas não conformes pelo Grupo Carrefour, o frigorífico deve suspender a comercialização com a fazenda e só pode autorizar a reinserção quando e se o Grupo Carrefour receber e aceitar evidências de readequação socioambiental. Caso as evidências não sejam aceitas, a fazenda deve ser definitivamente bloqueada.

Além do grupo Carrefour outras, como JBS e Masterboi, citadas no episódio também contam com sistemas geoespaciais aliados às tecnologias blockchain e ferramentas de Inteligência de Spatial data Science ao tratar dados de big data e data lakes, também conhecido com o termo Geoanalytics, para garantir o monitoramento e efetividade da fiscalização. Com a adoção de sistemas geográficos, é possível interpretar e garantir a originação de alimentos em todas as etapas dos elos da cadeia alimentar.

O Brasil ocupa o 2º lugar no mundo, produzindo 9,3 milhões de toneladas, ou 15% da produção mundial total.

Conclusão

O GIS, além de ser uma ferramenta analítica poderosa, também serve como uma plataforma de engajamento para se comunicar com clientes, parceiros, funcionários e comunidade sobre os ODS de uma empresa. O GIS já gerou vantagem econômica para empresas em todo o mundo. Agora, a mesma tecnologia está revelando como as empresas podem beneficiar o mundo, seja reduzindo a pegada de carbono, rastreamento e monitoramento de cadeias de fornecimento para reduzir desmatamento e comércio irregular ou atendendo melhor às comunidades necessitadas.

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FONTE:

Reporter Brasil.org

Do pasto ao prato

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