Introdução
A implantação de ativos lineares como gasodutos, linhas de transmissão, rodovias, ferrovias, adutoras e outras infraestruturas lineares envolve decisões técnicas complexas, que impactam diretamente custos de implantação, riscos ambientais, viabilidade regulatória e eficiência operacional ao longo de todo o ciclo de vida do ativo.
Definir um traçado apenas com base na menor distância raramente é a melhor solução. O desafio real está em identificar o caminho de menor custo acumulado, considerando múltiplos critérios espaciais, técnicos, ambientais e legais. Nesse contexto, o ArcGIS Pro, por meio do Spatial Analyst, se consolida como uma das plataformas mais robustas e defensáveis para estudos de otimização de traçados.
Este artigo apresenta a importância desses estudos, os conceitos técnicos envolvidos e como o ArcGIS viabiliza um fluxo moderno, reprodutível e tecnicamente sólido para a criação de ativos lineares.
Por que estudos de traçado são críticos para ativos lineares?
Projetos de infraestrutura linear atravessam extensas áreas e múltiplos contextos territoriais. Um traçado mal definido pode resultar em:
• Aumento significativo de custos de obra e manutenção
• Conflitos ambientais e regulatórios
• Interferências com áreas urbanas, produtivas ou protegidas
• Maior risco operacional e social
• Dificuldades de licenciamento e questionamentos técnicos
Por isso, estudos de traçado precisam ser:
• Objetivos: baseados em critérios claros;
• Reprodutíveis: capazes de serem refeitos e auditados;
• Transparentes: com lógica técnica bem documentada;
• Defensáveis: suportados por metodologia reconhecida.
O conceito central: menor custo acumulado
Um dos principais conceitos técnicos utilizados nesses estudos é o de Least-Cost Path (Caminho de Menor Custo).
O melhor traçado não é necessariamente o mais curto, mas aquele que apresenta o menor custo acumulado ao longo do território.
Esse custo pode representar:
• Dificuldade construtiva
• Impacto ambiental
• Risco legal
• Distância de acessos
• Restrições técnicas ou normativas
O ArcGIS permite transformar esses fatores em uma superfície de custo, base para a análise espacial.
ArcGIS Pro como plataforma para otimização de traçados
O ArcGIS Pro, com a extensão Spatial Analyst, oferece um fluxo consolidado e amplamente utilizado para otimização de traçados lineares. Esse fluxo é aplicado em projetos de:
• Energia
• Óleo e Gás
• Saneamento
• Transportes
• Infraestrutura crítica
Visão geral do fluxo lógico

1. Criação da Superfície de Custo – Weighted Overlay
Conceito técnico
A ferramenta Weighted Overlay permite integrar múltiplos critérios espaciais em um único raster, no qual cada célula representa o custo relativo de atravessar aquela área. Acesse a documentação Como funciona a sobreposição ponderada e entenda um pouco mais sobre este processo.
Exemplos de critérios utilizados

Funcionamento
1. Reclassificação de cada raster para uma escala comum (ex.: 1 a 9)
2. Atribuição de pesos percentuais conforme a importância de cada critério
3. Cálculo do custo final por célula:
Custo Final = Σ (Valor do Critério × Peso)
Resultado
- Raster de custoValores baixos → áreas preferenciais
- Valores altos → áreas restritivas ou de alto impacto
Essa superfície é o elemento mais crítico de todo o estudo, pois define o comportamento do traçado final.
2. Cálculo do custo acumulado – Distance Accumulation
A ferramenta Distance Accumulation calcula o menor custo acumulado para se deslocar da origem até todas as células do raster, considerando a superfície de custo.
Evolução técnica
Ela é a evolução moderna do antigo Cost Distance, oferecendo:
• Maior flexibilidade
• Suporte a fluxos complexos
• Melhor desempenho
• Aderência a análises geodésicas
Outputs
• Distance Accumulation Raster: custo mínimo acumulado
• Direction Raster: direção ótima de deslocamento entre células
3. Extração do traçado ótimo – Optimal Path As Line
Com base nos resultados anteriores, a ferramenta Optimal Path As Line reconstrói o traçado ótimo entre o destino e a origem.
Funcionamento técnico
1. Inicia no ponto de destino
2. Segue o raster de direção ótima
3. Caminha célula por célula no sentido de menor custo
4. Converte o caminho raster em uma linha vetorial
Resultado
• Polilinha vetorial representando o traçado ótimo
Boas práticas técnicas
Para garantir qualidade e confiabilidade nos resultados:
• Alinhar rasters (cell size, extent e sistema de coordenadas)
• Utilizar Snap Raster
• Testar diferentes pesos e cenários
• Documentar decisões técnicas
• Interpretar o traçado como suporte à decisão, não como solução automática
Conclusão
A criação de ativos lineares exige rigor técnico, visão territorial e metodologia adequada. O ArcGIS Pro oferece um fluxo consolidado, moderno e amplamente aceito para otimização de traçados, permitindo análises:
• Objetivas
• Reprodutíveis
• Transparentes
• Defensáveis tecnicamente
Ao adotar esse método, organizações reduzem riscos, otimizam investimentos e fortalecem a tomada de decisão em projetos de infraestrutura linear. O traçado deve ser interpretado como suporte à decisão, não como solução automática.
Assista a Trilha de conhecimento – Otimização de traçados para ativos lineares e veja na prática como o ArcGIS oferece suporte no planejamento e otimização de traçados.

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