GIS corporativo: como integrar dados, sistemas e equipes para crescer com inteligência

À medida que uma organização cresce, seus sistemas também se multiplicam. Entenda como o GIS corporativo ajuda a conectar informações, fortalecer a governança e ampliar a inteligência territorial, com exemplos dos Estados Unidos e do Brasil. 

Ricardo Cruz e Guerra em ambiente de escritório de terno verde

Ricardo Cruz e Guerra

Especialista em Marketing de Conteúdo e Inovação - Imagem Geositemas

Uma árvore não cresce substituindo suas camadas anteriores.

A cada ano, novos anéis se formam ao redor dos antigos, registrando sua trajetória de desenvolvimento. 

Com as organizações acontece algo semelhante. 

Uma empresa começa com um sistema de gestão.

Depois, incorpora ferramentas de Business Intelligence (BI), plataformas de relacionamento com clientes, aplicações operacionais, bancos de dados e soluções especializadas.

Cada tecnologia responde a uma necessidade, mas nem sempre foi concebida para conversar com as demais. 

Com o tempo, a organização pode acumular um patrimônio valioso de informações e, ao mesmo tempo, encontrar dificuldades para utilizá-lo de maneira integrada. 

O desafio deixa de ser simplesmente adotar novas ferramentas. 

Seção transversal de um tronco de árvore, com anéis concêntricos que representam diferentes etapas de crescimento. Copiar
Assim como os anéis de uma árvore registram diferentes etapas de crescimento, os sistemas corporativos acumulam camadas de informações que precisam trabalhar de maneira integrada.

Como fazer com que diferentes sistemas, equipes e informações trabalhem a favor das mesmas decisões? 

É nesse contexto que o GIS corporativo ganha relevância. 

O que é GIS corporativo? 

O GIS corporativo, também chamado de Enterprise GIS, é uma abordagem que amplia o uso dos Sistemas de Informações Geográficas para diferentes áreas de uma organização. 

Em vez de permanecer restrito a uma equipe de geoprocessamento, o GIS passa a integrar uma arquitetura compartilhada, capaz de disponibilizar dados, mapas, análises e aplicações geográficas conforme as necessidades de cada departamento. 

Isso não significa que todos os profissionais precisem se tornar especialistas em geotecnologia. 

Uma equipe de manutenção pode consultar a localização e as condições de seus ativos. A área comercial pode analisar oportunidades de mercado. Gestores podem acompanhar indicadores territorializados, enquanto profissionais de campo atualizam informações diretamente da operação. 

Cada área utiliza os recursos necessários, mas a organização passa a contar com uma base mais consistente para relacionar informações. 

A localização funciona como um elemento de conexão. 

Por que integrar sistemas se tornou um desafio estratégico? 

Pense em uma empresa responsável por uma extensa rede de infraestrutura. 

As informações sobre seus ativos podem estar no GIS. Os custos de manutenção, em um ERP. Os indicadores de desempenho, em uma ferramenta de BI. As solicitações de serviço, em outro sistema. 

Se uma região apresenta aumento de ocorrências, diferentes equipes talvez precisem consultar várias plataformas antes de compreender o problema. 

  • Onde estão os ativos afetados?
  • Qual é seu histórico de manutenção?
  • Quais serviços estão programados?
  • Que outras estruturas existem nas proximidades? 

As respostas podem estar disponíveis, mas distribuídas entre ambientes que não compartilham informações de maneira adequada. 

Nesse cenário, a integração permite relacionar registros e acrescentar contexto territorial às análises. 

Isso não exige necessariamente transferir todos os dados para uma única plataforma. 

O objetivo é construir conexões confiáveis entre sistemas que continuam desempenhando suas próprias funções. 

Para entender como essa estratégia pode evoluir, vale observar duas experiências documentadas pela Imagem Geosistemas e pela Esri. 

Nashville: quando o GIS deixa de ser departamental e se torna corporativo 

Nos Estados Unidos, a administração metropolitana de Nashville e Davidson County oferece um exemplo de como o crescimento de uma organização pode exigir uma nova abordagem para a tecnologia. 

O GIS já era utilizado pelo departamento de planejamento desde a década de 1980, principalmente em atividades de mapeamento e análise territorial. 

Com a expansão da cidade e o aumento das demandas administrativas, tornou-se necessário ampliar o compartilhamento de informações entre departamentos. 

Sob a liderança de Keith Durbin, então diretor de tecnologia da informação, a administração avançou na transformação do GIS em um serviço corporativo. 

A experiência, apresentada pela Esri na publicação WhereNext, destaca três aprendizados. 

  1. Tratar a tecnologia como um serviço compartilhado

A gestão centralizada do suporte e da administração do GIS ajudou a estabelecer uma abordagem comum para diferentes departamentos. 

Isso exigiu alinhamento institucional e garantias de continuidade para as equipes que já utilizavam a tecnologia. 

A principal mudança foi reconhecer que o GIS poderia atender à organização como um todo, e não apenas à área responsável pelos mapas. 

  1. Construir uma arquitetura com governança

Para ampliar o acesso às informações, Nashville estruturou uma arquitetura que considerava usuários, aplicações, infraestrutura e responsabilidades sobre os dados. 

Foram organizados ambientes compartilhados e portais específicos para departamentos como polícia, saúde, abastecimento de água e serviços de emergência. 

Essa separação é importante. 

Compartilhar informações não significa oferecer acesso irrestrito a todos os dados. 

Uma estratégia corporativa precisa conciliar disponibilidade, segurança e necessidades particulares de cada área. 

  1. Preparar as pessoas para utilizar a informação

A transformação não terminou com a implantação da arquitetura. 

A administração também investiu na capacitação dos usuários, na criação de grupos de colaboração e no apoio à adoção das ferramentas. 

A experiência de Nashville mostra que a expansão do GIS depende tanto de decisões tecnológicas quanto da capacidade de envolver as pessoas. 

O valor de uma plataforma corporativa aumenta quando diferentes profissionais conseguem utilizá-la em suas atividades. 

Fonte: Esri WhereNext — Extending Enterprise Software as the Business Grows—Three Lessons for CIOs (2024). 

Eletrobras Chesf: integração de dados para compreender uma rede de infraestrutura 

No Brasil, a experiência da Eletrobras Chesf apresenta outra dimensão desse desafio: a necessidade de integrar informações de diferentes origens para compreender ativos e estruturas distribuídos pelo território. 

Responsável por uma extensa infraestrutura de geração e transmissão de energia, a companhia precisava reunir informações capazes de apoiar o planejamento, a operação e os projetos de expansão. 

Segundo um estudo de caso publicado pela Esri, a organização possuía dados sobre usinas hidrelétricas, parques eólicos, subestações e milhares de quilômetros de linhas de transmissão. 

Entretanto, parte dessas informações não oferecia a clareza necessária para exploração e compartilhamento entre equipes. 

A resposta envolveu diferentes tecnologias de captura e representação da realidade. 

Levantamentos a laser, imagens obtidas por drones e dados de Modelagem da Informação da Construção (BIM) foram combinados com recursos de GIS. 

O resultado foi o GeoPortal, apresentado pela Esri como um gêmeo digital da rede, desenvolvido para apoiar atividades de planejamento, operação e projetos de construção. 

A experiência demonstra uma aplicação importante da integração geoespacial. 

Dados produzidos por tecnologias diferentes podem ser relacionados em um ambiente territorial, permitindo analisar ativos e sua interação com o espaço ao redor. 

Nesse caso, o GIS contribui para conectar informações de engenharia, levantamentos de campo e modelos digitais. 

Não se trata simplesmente de reunir arquivos. 

Trata-se de criar condições para que diferentes representações de uma infraestrutura possam ser exploradas de maneira integrada. 

Fonte: Esri — Navigating Digital Transformation, estudo de caso Eletrobras Chesf. 

O que os dois casos ensinam sobre integração corporativa? 

Nashville e Eletrobras Chesf apresentam contextos distintos. 

Uma experiência está relacionada à modernização da administração pública. A outra envolve infraestrutura energética e representação digital de ativos. 

Mas ambas ajudam a compreender uma questão fundamental: a integração produz mais valor quando está associada a uma necessidade concreta de gestão ou operação. 

Em Nashville, o desafio envolvia ampliar o acesso, organizar a governança e fortalecer a colaboração. 

Na Eletrobras Chesf, a necessidade era relacionar diferentes fontes de informação para compreender uma rede de infraestrutura. 

Nos dois contextos, o GIS ultrapassa sua função tradicional de visualização cartográfica e participa de uma estrutura mais ampla de informação. 

Isso não significa que os projetos tenham utilizado as mesmas integrações técnicas. Cada organização desenvolveu sua solução de acordo com suas necessidades. 

Como GIS, BI e sistemas corporativos podem trabalhar juntos? 

A adoção de um GIS corporativo não elimina a necessidade de ferramentas especializadas. 

O Business Intelligence continua importante para acompanhar indicadores, identificar tendências e apoiar análises de desempenho. 

Sistemas ERP organizam processos e informações administrativas e operacionais. 

Plataformas de gestão de ativos e aplicações de campo atendem necessidades específicas da operação. 

O GIS acrescenta a capacidade de representar, relacionar e analisar informações a partir de sua dimensão espacial. 

Por exemplo, um indicador de manutenção pode ganhar contexto quando relacionado à localização dos equipamentos, às condições ambientais e à distribuição das equipes responsáveis. 

Um resultado comercial pode ser analisado considerando regiões atendidas, características de mercado e acessibilidade. 

Essas relações podem ser construídas por meio de serviços, APIs, identificadores compartilhados, conexões entre bases de dados e outros mecanismos de interoperabilidade, conforme a arquitetura disponível. 

No ecossistema ArcGIS, recursos de integração e compartilhamento de serviços geoespaciais permitem que mapas e informações territoriais participem de diferentes fluxos corporativos. 

A escolha da arquitetura, entretanto, depende dos sistemas existentes, dos requisitos de segurança e das necessidades de cada organização. 

Cinco perguntas antes de ampliar o GIS corporativo 

Antes de iniciar um projeto de integração, vale responder a algumas perguntas. 

  1. Qual decisão precisa melhorar?

O ponto de partida deve ser um problema real. Pode ser reduzir o tempo de resposta a ocorrências, melhorar o planejamento de investimentos ou ampliar a visibilidade dos ativos. 

  1. Onde estão as informações necessárias?

É importante identificar sistemas, bases de dados, responsáveis e eventuais lacunas. 

  1. Como essas informações podem ser relacionadas?

Endereços, coordenadas, códigos de ativos e outros identificadores podem funcionar como elementos de conexão. 

  1. Quem poderá acessar e atualizar cada informação?

Governança envolve definir responsabilidades, permissões, critérios de qualidade e frequência de atualização. 

  1. Como as pessoas utilizarão os resultados?

Mapas, painéis, aplicações operacionais e relatórios devem responder às necessidades de seus usuários, sem exigir complexidade desnecessária. 

Essas perguntas ajudam a evitar que a integração se transforme em um projeto exclusivamente tecnológico, distante dos resultados esperados. 

Crescer com inteligência não significa acumular mais sistemas 

A imagem dos anéis de uma árvore ajuda a compreender a evolução das organizações. 

Cada camada representa uma etapa de crescimento. Novas tecnologias, processos e informações passam a fazer parte de uma estrutura construída ao longo do tempo. 

Mas, diferentemente de uma árvore, uma organização precisa estabelecer deliberadamente as conexões entre essas camadas. 

É isso que torna a integração tão importante. 

O GIS corporativo oferece uma maneira de relacionar informações a partir do território, aproximando áreas que tradicionalmente trabalham com sistemas e perspectivas diferentes. 

A experiência de Nashville mostra a importância de arquitetura, governança e colaboração. O caso da Eletrobras Chesf demonstra como diferentes fontes de dados podem contribuir para uma representação integrada da infraestrutura. 

Em ambos, a tecnologia responde a uma necessidade maior: compreender melhor a realidade para apoiar decisões. 

Porque o próximo passo da transformação digital não precisa ser adicionar outra camada de tecnologia. 

Pode ser fazer com que as camadas existentes finalmente trabalhem juntas. 

 

Conheça a Imagem Geosistemas 

A Imagem Geosistemas, Distribuidora Oficial da Esri no Brasil, apoia organizações na aplicação de GIS e inteligência territorial a desafios de negócio, infraestrutura e gestão pública. 

Conheça as possibilidades do ArcGIS para conectar dados, equipes e decisões. 

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