Gestão de ativos com GIS: o que é e por onde começar?

Ricardo Cruz e Guerra em ambiente de escritório de terno verde

Ricardo Cruz e Guerra

Especialista em Marketing de Conteúdo e Inovação

Uma empresa pode saber quantos ativos possui e, ainda assim, não saber exatamente o que está acontecendo com eles. 

  • Onde estão?
  • Qual é o estado de cada um?
  • Quais estão próximos de uma área crítica?
  • Que equipes são responsáveis por eles?
  • Quais informações foram atualizadas em campo?
  • O que existe ao redor de cada ativo e pode influenciar sua operação? 

É nesse ponto que a localização deixa de ser apenas uma informação cadastral e passa a fazer parte da gestão. 

Com um Sistema de Informação Geográfica (GIS), ativos podem ser associados ao território e analisados junto a outras informações relevantes para a operação. 

Mas o que isso significa na prática? 

O que é gestão de ativos? 

Ativos são recursos que possuem valor para uma organização e precisam ser acompanhados ao longo do tempo. 

Dependendo do setor, eles podem ser: 

  • postes; 
  • redes de distribuição; 
  • tubulações; 
  • estações; 
  • equipamentos; 
  • torres; 
  • rodovias; 
  • estruturas de saneamento; 
  • instalações industriais; 
  • máquinas; 
  • imóveis; 
  • veículos; 
  • áreas operacionais. 

Um cadastro informa que esses ativos existem. 

A gestão vai além. 

Ela envolve organizar informações, acompanhar condições, registrar alterações e utilizar esses dados para apoiar decisões relacionadas à operação. 

Por isso, possuir uma planilha ou banco de dados com milhares de registros não significa necessariamente que uma organização esteja gerenciando seus ativos de forma integrada. 

Por que a localização importa na gestão de ativos? 

Grande parte dos ativos físicos possui uma característica em comum: eles estão em algum lugar. 

E esse lugar importa. 

Uma tubulação pode atravessar uma área sujeita a alagamentos. Uma torre pode estar localizada em uma região de difícil acesso. Um equipamento pode atender uma área com grande concentração de Clientes. Uma estrada pode conectar diferentes estruturas críticas de uma operação. 

Quando um ativo é observado apenas como uma linha em uma tabela, parte desse contexto desaparece. 

No GIS, a localização permite relacionar o ativo ao território. 

Isso significa que, além de saber o que existe, é possível começar a entender: 

onde está, o que existe ao redor e quais relações espaciais podem influenciar aquele ativo. 

Essa mudança amplia as possibilidades de análise. 

Profissional realiza inspeção de ativos em infraestrutura industrial com apoio de informações de campo.

Como o GIS ajuda na gestão de ativos? 

Um GIS permite representar ativos em mapas e associá-los a diferentes atributos. 

Um ponto no mapa, por exemplo, pode representar um equipamento. Mas aquele ponto pode estar conectado a informações como: 

  • identificação; 
  • tipo de ativo; 
  • responsável; 
  • data de instalação; 
  • condição atual; 
  • última inspeção; 
  • fotografias; 
  • documentos; 
  • ocorrências registradas; 
  • histórico de atualização. 

O mapa, portanto, não funciona apenas como uma representação visual. 

Ele se torna uma forma de acessar, organizar e analisar informações relacionadas ao ativo. 

Inventário e cadastro 

Um dos primeiros passos é saber quais ativos existem e onde eles estão. 

O GIS pode reunir essas informações em uma base geográfica comum, permitindo visualizar a distribuição dos ativos e consultar seus atributos. 

Isso ajuda a substituir diferentes registros isolados por uma visão mais integrada da infraestrutura. 

Informações de campo 

Ativos mudam. 

Uma estrutura pode ser substituída. Um equipamento pode apresentar uma ocorrência. Uma equipe pode identificar uma mudança de condição durante uma vistoria. 

Por isso, a qualidade da gestão depende também da capacidade de atualizar informações. 

Aplicações de campo conectadas ao GIS permitem que equipes registrem dados diretamente no local da operação, reduzindo a distância entre aquilo que está acontecendo no território e o que aparece nos sistemas da organização. 

Contexto territorial 

Talvez uma das principais diferenças da gestão de ativos com GIS seja justamente a possibilidade de analisar o ativo junto ao ambiente em que ele está inserido. 

É possível relacioná-lo, por exemplo, com: 

  • áreas de risco; 
  • vias de acesso; 
  • características ambientais; 
  • uso e ocupação do solo; 
  • regiões administrativas; 
  • população; 
  • outros ativos; 
  • áreas atendidas pela infraestrutura. 

Assim, o ativo deixa de ser analisado isoladamente. 

Cadastro de ativos e gestão de ativos são a mesma coisa? 

Não. 

E essa diferença é importante. 

O cadastro responde principalmente perguntas como: 

Qual é o ativo? Onde ele está? Quais são suas características? 

Já a gestão começa a responder perguntas mais amplas: 

O que está acontecendo com esse ativo? Como ele se relaciona com a operação? Que informações precisam ser atualizadas? Quais ativos demandam maior atenção? 

Um cadastro estruturado é parte importante desse processo, mas não é o ponto final. 

À medida que dados de campo, contexto territorial, análises e sistemas corporativos passam a se conectar, a organização ganha novas possibilidades para acompanhar sua infraestrutura. 

Como começar uma estratégia de gestão de ativos com GIS? 

Não é necessário começar com todos os ativos, sistemas e processos da empresa ao mesmo tempo. 

Na prática, uma evolução gradual costuma facilitar a estruturação da informação. 

  1. Identifique quais ativos precisam ser gerenciados

Antes da tecnologia, existe uma pergunta de negócio. 

Quais ativos são importantes para aquela operação? 

O objetivo não deve ser simplesmente colocar tudo em um mapa, mas compreender quais elementos precisam ser acompanhados e quais decisões dependem deles. 

  1. Avalie os dados disponíveis

Depois, é necessário entender onde estão as informações. 

Elas podem estar espalhadas por: 

  • planilhas; 
  • bancos de dados; 
  • sistemas corporativos; 
  • arquivos CAD; 
  • documentos; 
  • mapas; 
  • registros das equipes de campo. 

Esse diagnóstico ajuda a identificar lacunas, duplicidades e informações que precisam ser organizadas. 

  1. Estruture a localização dos ativos

Com os ativos identificados, é possível construir ou aprimorar sua representação geográfica. 

Dependendo do contexto, eles podem ser representados como pontos, linhas, polígonos ou redes. 

A geometria deve fazer sentido para o tipo de infraestrutura e para as análises que serão realizadas posteriormente. 

  1. Defina quais informações precisam acompanhar cada ativo

Nem todo dado disponível precisa estar associado ao ativo. 

É importante definir quais atributos realmente ajudam a operação. 

Um cadastro excessivamente complexo pode gerar trabalho de atualização sem necessariamente melhorar a decisão. 

Por isso, vale começar pelas informações essenciais e evoluir conforme surgirem novas necessidades. 

  1. Conecte o escritório ao território

Se as informações mudam em campo, o processo de atualização precisa considerar quem está no território. 

Criar fluxos digitais para inspeções, levantamentos e registros ajuda a manter a base mais próxima da realidade operacional. 

  1. Evolua da visualização para a análise

O mapa é apenas o começo. 

Com uma base organizada, o GIS pode apoiar análises sobre proximidade, concentração, cobertura, acesso, relacionamento entre ativos e características do território. 

É aí que a localização começa a contribuir de maneira mais direta para decisões. 

Onde o ArcGIS entra nesse processo? 

O ArcGIS permite reunir diferentes etapas desse fluxo dentro de um ambiente de inteligência geográfica. 

A plataforma pode apoiar desde a estruturação e visualização dos dados até atividades de campo, análise espacial, compartilhamento de informações e construção de aplicações. 

Isso permite que profissionais GIS desenvolvam soluções de acordo com diferentes níveis de maturidade. 

Uma organização pode começar estruturando seus ativos geograficamente e, posteriormente, incorporar novos fluxos, análises e integrações. 

Mais importante do que começar com uma arquitetura complexa é construir uma base que permita evoluir. 

Do ativo isolado à visão da infraestrutura 

Gerenciar ativos não significa apenas saber onde eles estão. 

Significa compreender como esses elementos se relacionam com processos, pessoas, território e outros componentes da infraestrutura. 

É justamente nesse ponto que o GIS amplia sua contribuição. 

Ao conectar localização e informação, uma organização pode transformar um inventário de ativos em uma visão mais completa sobre aquilo que sustenta sua operação. 

O caminho pode começar de forma simples: 

inventariar → localizar → contextualizar → atualizar → analisar → decidir. 

E, à medida que novas informações entram nesse fluxo, o GIS deixa de ser apenas o lugar onde os ativos aparecem no mapa. 

Ele passa a fazer parte da forma como a infraestrutura é compreendida. 

 

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Na gestão de ativos, informação atualizada no território faz diferença. 

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