A importância da rastreabilidade na cadeia produtiva e metas ESG

Ana Sofia Gutierrez

Especialista de Marketing do Agronegócio

A rastreabilidade desempenha um papel fundamental na cadeia produtiva do agronegócio, especialmente quando se trata de atingir as metas ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança, em português). Vamos explorar a importância da rastreabilidade nesse contexto.

No agronegócio, a rastreabilidade permite o monitoramento e controle da cadeia produtiva, desde a origem até o consumidor final. Isso inclui informações sobre as práticas agrícolas utilizadas, uso de insumos, análise de novas áreas focadas em expansão, métodos de colheita, processamento, armazenamento, transporte e distribuição. A rastreabilidade de commodities é especialmente relevante para garantir a sustentabilidade, qualidade e segurança ao longo da jornada da matéria-prima. A cada ciclo produtivo, é responsabilidade da empresa ou parceiro de garantir a sustentabilidade das suas áreas, assim como, não influenciar ou ser causador direto de conversão de área nativa em produtiva.

No Brasil, somos providos por leis rígidas que protegem as áreas de Reservas Legais, vegetação nativa e Área de Proteção Permanente dentro do Código Florestal, considera-se o ano de 2008 o ano base para análise de desmatamento e existem alguns decretos mais restritivos como a Lei de Mata Atlântica, que diminui a tolerância do desmatamento para o ano de 1994. Áreas que irregularmente foram abertas para cultivo agrícola, se caracterizam como não passíveis de certificações e regularizações para comercialização nacional e internacional. As pressões e preocupações em relação a conservação de matas nativas vêm aumentando gradativamente a nível mundial.

O Parlamento Europeu, aprovou nova legislação para combater a importação de “commodities sujas”. A medida exige due diligence nas cadeias de abastecimento de commodities agrícolas associadas ao desmatamento, visando garantir que as commodities comercializadas na Europa a partir de 31 de dezembro de 2020 não provenham de áreas desmatadas ilegalmente. A legislação, que aguarda aprovação do Conselho Europeu, requer conformidade com regras internacionais de direitos humanos, respeito aos povos indígenas e suas terras, origem sustentável e socialmente responsável das commodities. Essa regulamentação busca promover práticas comerciais éticas, proteger o meio ambiente e garantir os direitos humanos.

Para atender a essas exigências, a rastreabilidade se faz necessária pois está relacionada à responsabilidade social e à governança corporativa, permitindo que as empresas e agricultores avaliem o histórico de uso da terra, incluindo o respeito aos direitos humanos, trabalhistas e indígenas, bem como a relação com as comunidades locais. Isso é especialmente relevante em áreas onde há a possibilidade de deslocamento de populações tradicionais ou impactos sociais significativos.

Além disso, o relatório de rastreabilidade contribui para a transparência nas operações do agronegócio, permitindo que as empresas demonstrem o cumprimento das normas e regulamentações para conquistarem selo branco para certificações internacionais e nacionais. Fornecendo informações confiáveis, demonstra transparência nas operações, fortalece a confiança dos investidores, consumidores e demais partes interessadas, além de garantir a reputação e a sustentabilidade dos negócios.

Em relação às metas ESG, a rastreabilidade contribui para o alcance desses objetivos em diversos aspectos, pois permite identificar e monitorar o impacto ambiental das operações, como o uso de recursos naturais, a emissão de carbono e a gestão de resíduos, possibilitando a adoção de práticas mais sustentáveis em todas as etapas da cadeia produtiva. Além disso, a rastreabilidade auxilia no cumprimento de normas e regulamentos, fortalecendo a governança corporativa e promovendo a transparência e a responsabilidade social das empresas do agronegócio.

Na avaliação de especialistas, é crescente a busca do setor em adotar estratégias e modelos de negócios alinhados à agenda ESG, o conhecimento em relação ao histórico da cadeia produtiva traz segurança na comercialização do produto, assim como a captação de selos brancos, trazem valores como a garantia de práticas sustentáveis, éticas e transparentes, melhorias no desempenho ambiental e social e fortalecimento da governança corporativa.

Como o ArcGIS pode te ajudar a fazer a validação para garantir metas ESG?

O ArcGIS é uma ferramenta que pode reunir diversas bases públicas para verificação da área consolidada, entre as bases mais famosas são: limites das propriedades INCRA/SIGEF; Cadastro Ambiental Rural (CAR); Mapeamento das perdas de vegetação nativa na Amazônia Legal (PRODES); Moratória da Soja; áreas embargadas pelo IBAMA e ICMBio; áreas Quilombolas, Indígenas e Sítios Arqueológicos; Unidades de Conservação, entre outras. As análises temporais podem ser checadas por meio de Change Detection entre imagens Landsat e Sentinel, disponíveis dentro do acervo Living Atlas ArcGIS e para facilitação e ganho de produtividade operacional, as rotinas podem ser automatizadas dentro do Model Builder ou Python.

Em resumo, o ArcGIS é uma ferramenta poderosa para rastrear o desmatamento no Brasil, fornecendo análises espaciais avançadas, monitoramento em tempo real e integração de dados. Essa abordagem geoespacial é fundamental para entender a extensão do desmatamento, identificar áreas críticas, modelar cenários futuros e apoiar a tomada de decisões para a proteção das florestas.

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