Water Summit 2026: segundo dia conecta IA, GIS e troca de experiências no saneamento

Ricardo Cruz e Guerra em ambiente de escritório de terno verde

Ricardo Cruz e Guerra

Especialista em Marketing de Conteúdo e Inovação

Depois de um primeiro dia marcado por palestras e discussões sobre os desafios do setor, o Water Summit 2026 avançou, em 10 de setembro, para uma programação mais prática e colaborativa na Sabesp. 

O segundo dia foi estruturado em duas frentes: pela manhã, das 9h às 11h, o workshop “Saneamento Inteligente: Como a IA transforma Operações e Decisões”; e, ao longo do dia, das 9h às 16h, os Benchmarkings Exclusivos, que reuniram profissionais para compartilhar experiências, práticas e desafios vivenciados por diferentes organizações. 

A combinação das atividades mostrou duas dimensões importantes da transformação do saneamento: de um lado, novas possibilidades proporcionadas pela inteligência artificial e pela inteligência geográfica; de outro, o conhecimento construído a partir da experiência e da colaboração entre profissionais do setor. 

Diogo Rosanelli conduz o workshop “Saneamento Inteligente: Como a IA transforma Operações e Decisões” durante o segundo dia do Water Summit 2026.
Diogo Rosanelli conduz o workshop “Saneamento Inteligente: Como a IA transforma Operações e Decisões” durante o segundo dia do Water Summit 2026.

IA aplicada ao saneamento na prática

Durante o workshop conduzido por Diogo Rosanelli, os participantes acompanharam demonstrações de como integrar Inteligência Artificial ao ecossistema ArcGIS para aumentar a produtividade, apoiar análises e automatizar etapas de fluxos geoespaciais.

A atividade percorreu uma jornada que começou pela preparação e análise de dados, avançou pela criação de dados sintéticos e publicação de mapas e aplicações e chegou à utilização de agentes de IA para apoiar análises — mantendo a decisão humana como parte fundamental do processo.

Entre as demonstrações, foram utilizados dados geográficos de fontes como IBGE e OpenStreetMap, além da criação de uma rede sintética de saneamento para explorar possibilidades relacionadas a redes, ordens de serviço, equipes, territórios e ocorrências. 

Copilotos de IA também foram utilizados para apoiar diferentes momentos do desenvolvimento de uma solução: levantamento de requisitos, documentação técnica, exploração dos dados, criação de scripts, automação de geoprocessamentos, prototipagem e desenvolvimento de aplicações. 

Mais do que simplesmente gerar código ou responder perguntas, a proposta foi demonstrar como a IA pode funcionar como copiloto de profissionais que já possuem conhecimento técnico e de negócio. 

Começar pelo problema, não pela tecnologia 

Outro ponto abordado no workshop foi a importância de começar pelo resultado que se deseja alcançar. 

Antes de desenvolver uma solução, recursos de IA podem apoiar a construção de protótipos, a identificação dos dados necessários e a definição de requisitos e critérios de aceite. Com o planejamento estruturado, a tecnologia passa a apoiar uma necessidade previamente compreendida, e não o contrário. 

Essa abordagem também ajuda a reduzir retrabalho e permite testar conceitos antes de avançar para ambientes de produção. 

Durante as demonstrações, atividades que normalmente envolveriam diferentes ferramentas e etapas puderam ser aceleradas com o apoio de copilotos. Isso não elimina a necessidade de profissionais especializados: amplia a capacidade das equipes de explorar possibilidades, automatizar tarefas e dedicar mais tempo à análise e à decisão. 

A decisão continua sendo humana 

O uso de IA também trouxe para a discussão temas como segurança, privacidade, confiabilidade dos resultados e proteção das informações. 

Por isso, uma das ideias reforçadas durante o workshop foi a necessidade de manter pontos de validação humana ao longo do processo. 

Em vez de delegar toda a jornada à tecnologia, a IA pode preparar informações, executar tarefas e apresentar resultados para que profissionais avaliem o contexto e determinem os próximos passos. 

No saneamento, onde decisões podem afetar operações, infraestrutura e atendimento à população, essa combinação entre automação e supervisão humana ganha ainda mais importância. 

Benchmarkings Exclusivos: empresas compartilhando experiências 

Enquanto o workshop aprofundava possibilidades de aplicação de IA e GIS, os Benchmarkings Exclusivos, realizados das 9h às 16h, abriram espaço para outro tipo de conhecimento. 

Em grupos menores, profissionais de diferentes organizações puderam conversar sobre experiências, práticas, tecnologias e desafios encontrados em suas próprias operações. 

O formato favoreceu uma dinâmica diferente da apresentação tradicional.

Em vez de apenas acompanhar um conteúdo no palco, os participantes puderam trocar experiências diretamente, comparar abordagens, fazer perguntas e conhecer caminhos adotados por outras organizações. 

Essas conversas aproximam desafios que muitas vezes são comuns ao setor, ainda que apareçam em contextos diferentes. 

Profissionais do setor de saneamento trocam experiências durante benchmarking no Water Summit 2026
Profissionais do setor de saneamento trocam experiências durante benchmarking no Water Summit 2026

Nem todo conhecimento vem do palco 

Os benchmarkings também reforçaram uma característica importante de encontros como o Water Summit: parte do aprendizado acontece justamente nas conversas entre quem enfrenta desafios semelhantes no dia a dia. 

Compartilhar o que funcionou, entender dificuldades encontradas por outras equipes e conhecer diferentes formas de aplicar tecnologia pode ajudar cada organização a avaliar seus próprios processos. 

Nesse sentido, inovação não acontece apenas pela adoção de uma nova ferramenta.

Ela também nasce da circulação de conhecimento entre pessoas e organizações. 

Tecnologia, conhecimento e colaboração 

O segundo dia do Water Summit 2026 mostrou que a evolução do saneamento passa por diferentes formas de inteligência. 

De um lado, IA, GIS, dados e automação ampliam as possibilidades de analisar cenários, desenvolver aplicações e tornar processos mais eficientes.

Do outro, a experiência dos profissionais e a troca entre organizações ajudam a transformar essas possibilidades em soluções adequadas à realidade operacional. 

Ao aproximar experimentação tecnológica e compartilhamento de experiências, o encontro reforçou uma mensagem: grandes desafios exigem mais do que tecnologia. Exigem conhecimento, colaboração e capacidade de transformar inteligência em ação. 

 

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