A Dellut Engenharia é uma empresa com grande presença no setor de saneamento básico. Altamente focada em soluções de projeto de engenharia, a empresa se orgulha de investir em inovações tecnológicas a fim de potencializar a eficiência de seus processos e a qualidade técnica de seus produtos, representados majoritariamente pela prospecção de sistemas de abastecimento de água e coleta de esgoto. Muito focada na qualidade técnica de seus produtos, a Dellut investe em uma cultura de inovação para promover inteligência em seu negócio.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 definem uma série de metas para resolver problemas enfrentados pela humanidade, e incluem “Água Potável e Saneamento” (ODS-6) como uma de suas vertentes, reforçando a relevância do saneamento ao dialogar com as esferas ambiental, social e econômica. O Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020), por sua vez, estabeleceu metas desafiadoras que incluem o atendimento de 99% da população com abastecimento de água e de 90% com coleta e tratamento de esgoto até o ano de 2033, estimando-se que atualmente o nível de tratamento de esgoto gerado no Brasil seja de 52,2% (Trata Brasil).
O que isto significa? Que ainda existe muito a ser feito!
Trabalhando em consonância aos objetivos de universalização do esgotamento sanitário no Estado de São Paulo, a Dellut Engenharia atua em grandes projetos da Região Metropolitana de São Paulo e do Litoral Paulista, incorporando ferramentas como o ArcGIS para atribuir inteligência ao longo das diferentes fases de seus projetos. Dentre as diferentes aplicações destas ferramentas, é possível citar as contribuições aos serviços de varredura, conjunto de atividades prévias à elaboração de projetos de afastamento, visando delimitar parcelas do território cuja rede direciona o esgoto indevidamente a pontos específicos.
Este artigo focou em explorar as aplicações do GIS no processo de varredura em razão da grande abrangência em suas diferentes etapas, englobando coleta de dados em campo, tratamento dos dados em escritório, operações de geoprocessamento, produção de materiais gráficos e gerenciamento. Este processo tem início com a visualização de camadas vetoriais preliminares (arquivos shapefile) no ArcGIS Pro, incluindo os registros de infraestrutura existente (redes de esgoto, poços de visita e pontos irregulares de lançamento de esgoto) e sub-bacias de esgotamento sanitário (polígono representando uma área cujo esgoto converge ao mesmo ponto de lançamento). O objetivo das atividades de varredura consiste em produzir um relatório técnico identificando estes pontos de lançamento e suas respectivas sub-bacias, redelimitadas após conferência em campo.
Etapas do processo
A etapa de coleta de dados em campo consiste no deslocamento de equipes técnicas às localidades mapeadas, com o objetivo de confirmar se as sub-bacias preliminares condizem com a realidade. Para isso, foi desenvolvido um Map Viewer no ArcGIS Online integrado a um formulário do Survey123, acessado pelo próprio celular do usuário para coletar e armazenar dados de forma padronizada. A alimentação deste formulário resulta em informações referentes às condições reais da rede coletora vistoriada, visualizadas dentro do respectivo mapa para fundamentar o diagnóstico do corpo técnico da Dellut.
Parte do formulário criado pelo Survey123 para captura em campo de dados georreferenciados
Estes dados coletados em campo resultam em pontos georreferenciados no mapa, atualizados em tempo real, cuja simbologia está configurada em função dos status pré-definidos (“pertence à sub-bacia”, “é ponto de lançamento”, “está afogado”…), conforme informado pelo usuário no momento da coleta. São feitos registros fotográficos, também com a survey, para inserção posterior nos relatórios de varredura.

Visualização do Map Viewer com os pontos coletados pela Survey
Com estes dados já é possível realizar operações como extração de coordenadas, mapeamento da rede varrida e redelimitação das sub-bacias. Esta redelimitação é feita num aplicativo criado no Experience Builder, utilizando-se o widget de edição para ajuste de vértices e alimentação de atributos. Tais edições são visualizadas em tempo real por todos os usuários da plataforma, compondo um sistema de consulta integrada e trabalho colaborativo.
Redelimitação de sub-bacia por meio do widget de edição do Experience Builder
Comparação entre sub-bacia primária (laranja) e redelimitada (verde), com base na análise dos dados coletados em campo
A gestão da redelimitação é feita por meio de um painel criado no ArcGIS Dashboard, pelo qual os gestores acompanham o avanço e as pendências das atividades, auxiliando no controle e tomada de decisões.

Painel de acompanhamento de varredura no ArcGIS Dashboard
Com a sub-bacia redelimitada, tem início a elaboração de seu relatório. Para isso, a camada hospedada no ArcGIS Online é visualizada no ArcGIS Pro para realização de operações mais complexas: elaboração de imagens e cálculo de dados estatísticos. Para a elaboração das imagens, é gerada uma cópia das camadas online e é feito um tratamento prévio, a fim de permitir edições pontuais sem acarretar modificações na camada original (processo este automatizado por meio do Model Builder). Em seguida, é utilizado o layout de impressão para detalhar e exportar as imagens, que serão inseridas no relatório de varredura. Por se tratar de um grande número de sub-bacias, é utilizada a ferramenta “Atlas” para a geração automatizada das imagens, em lote.

Utilização da ferramenta “Atlas” para gerar imagens das sub-bacias de forma automatizada
Os cálculos estatísticos, por sua vez, são realizados com o uso de linguagem Arcade: cruzando-se a sub-bacia com setores censitários (shapefile de polígonos), é estimada a população contida na área; cruzando-se a sub-bacia com uma camada de ligações (shapefile de pontos), são obtidos números de economias e vazão. Estes dados dão a dimensão do número de pessoas que serão beneficiadas com a implantação das obras de esgotamento, auxiliando os projetistas no dimensionamento destas estruturas.
Valores calculados com base na delimitação das sub-bacias
Por fim, este conjunto de informações são reunidos para compor o relatório final de varredura, que consolida a imagem da sub-bacia validada, o número de economias calculado, os dados coletados pela Survey, seus respectivos status e fotos registradas.

Exemplo de relatório de varredura com destaque para o cálculo de economias e imagem da sub-bacia

Exemplo de relatório de varredura com destaque para as fotos capturadas em campo e conclusão baseada nos registros coletados
O processo aqui descrito ilustra bem a versatilidade com que as ferramentas do ArcGIS contribuem em diferentes etapas com diferentes finalidades. Além da disponibilidade da licença, claro, é essencial o domínio técnico dos idealizadores, que precisam entender o processo como um todo e unir inteligência com criatividade para modelar o fluxo de trabalho e convertê-lo em pacotes de entrega. Para que funcione, é fundamental o trabalho colaborativo, resultado do alinhamento entre diferentes equipes.
Ganhos com ferramentas GIS
Os ganhos com a incorporação de ferramentas de geoprocessamento são sentidos diariamente: os dados inseridos no sistema são visualizados por todos em tempo real; as redelimitações e mudanças de status atualizam dashboards e auxiliam na tomada de decisão sobre qual a próxima frente a ser priorizada; diferentes stakeholders conseguem baixar os dados atualizados em diversos formatos de arquivo, a depender de suas necessidades; a definição da logística de deslocamento do usuário de campo é auxiliada pela visualização espacializada dos dados; inúmeras imagens ilustrativas são geradas de uma única vez e, ainda, cálculos que antes levavam horas agora foram automatizados e reduzidos para 40 segundos.
A varredura pode ser um processo preliminar, mas é também o primeiro passo para entender o contexto de uma empreitada que trará sustentabilidade e qualidade de vida à população. A universalização do saneamento é uma meta ousada de longo prazo, sendo imperativo que seus projetos tenham ciclo de vida acompanhados de forma criteriosa. Tratando-se de um alto volume de dados que se estendem por muitos anos, prova-se mais uma vez que muito se agrega com a centralização de informações auxiliada por ferramentas de geoprocessamento.
