Automação de processos GIS: como a tecnologia apoiou a criação de 17 aplicações em 30 dias no RS

Durante as enchentes históricas de 2024 no Rio Grande do Sul, organizações, profissionais e voluntários mobilizaram dados, GIS e tecnologia para responder rapidamente a novas necessidades.

Imagem Geosistemas

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Entre essas iniciativas, a Codex participou da criação de 17 aplicações emergenciais em apenas 30 dias. 

Quando uma operação acontece em condições normais, atrasos na atualização de uma informação podem representar perda de produtividade. 

Em uma emergência, podem significar muito mais. 

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 criaram um cenário em que informações, prioridades e necessidades mudavam rapidamente. Para apoiar as operações de resposta, profissionais de diferentes organizações, especialistas e integrantes da sociedade civil mobilizaram conhecimento, dados e tecnologia geoespacial. 

Profissionais da Imagem Geosistemas também participaram desses esforços voluntários, ao lado de outras pessoas e organizações que colocaram competências técnicas à disposição durante a crise. 

Dentro dessa ampla mobilização, a Codex teve participação importante no desenvolvimento de soluções geoespaciais e criou 17 aplicações emergenciais em 30 dias para responder a diferentes necessidades que surgiam conforme a situação evoluía. 

O número impressiona. Mas ele também levanta uma questão importante para qualquer organização que trabalha com GIS: 

o que permite transformar rapidamente uma nova demanda em informação, análise ou aplicação útil para uma operação? 

Quando dados precisam se transformar rapidamente em decisão 

Em uma situação crítica, não basta possuir muitos dados. 

É preciso conseguir reunir informações de diferentes fontes, compreender sua localização, estabelecer prioridades e disponibilizar resultados para as pessoas que precisam agir. 

É justamente aí que o GIS — Sistema de Informações Geográficas assume um papel estratégico. 

Ao relacionar dados ao território, tecnologias GIS permitem visualizar áreas afetadas, identificar padrões, combinar diferentes camadas de informação e desenvolver mapas, dashboards, análises e aplicações voltadas a necessidades específicas. 

Durante as enchentes, novas perguntas surgiam à medida que o cenário mudava. 

Onde estão as áreas afetadas? 

Quais informações precisam ser atualizadas? 

Como reunir dados disponíveis em diferentes fontes? 

Como transformar essas informações em algo que possa apoiar uma decisão? 

Responder rapidamente a perguntas como essas exige tecnologia. Mas exige também coordenação entre pessoas, dados, aplicações e processos. 

Imagem dividida entre mapa de áreas inundadas no Rio Grande do Sul e fotografia aérea de uma cidade alagada, ilustrando o uso de dados geoespaciais no monitoramento de enchentes e desastres.

17 aplicações em 30 dias: mais do que velocidade de desenvolvimento 

Criar 17 aplicações em apenas um mês demonstra capacidade técnica. 

Mas o aprendizado mais interessante para outras operações está no que existe por trás desse número. 

Cada nova aplicação precisa partir de uma necessidade, acessar ou receber dados, transformar essas informações e entregar algum resultado. 

Isso envolve uma sequência de atividades. 

Demanda → dados → análise → desenvolvimento → validação → disponibilização → atualização. 

Em uma emergência, muitas dessas etapas precisam ser organizadas enquanto a própria operação acontece. 

Em uma organização que executa processos recorrentes, existe a oportunidade de fazer algo diferente: estruturar previamente esses fluxos de trabalho. 

É nesse ponto que temas como automação de processos GIS, workflow e orquestração de atividades passam a fazer sentido. 

O que essa mobilização ensina sobre operações GIS mais ágeis? 

Situações de emergência são excepcionais. Mas alguns dos desafios encontrados nelas aparecem diariamente, em outra escala, em governos, concessionárias, empresas de infraestrutura, meio ambiente e organizações com grandes operações territoriais. 

Dados precisam estar conectados ao contexto 

Uma informação isolada pode ter pouco significado. 

Quando relacionada à localização, infraestrutura, população, ativos e outras características do território, ela ganha contexto. 

Esse é justamente um dos diferenciais do GIS: transformar dados em informação espacial capaz de apoiar análises e decisões. 

Pessoas e aplicações precisam trabalhar de forma coordenada 

Ter bons sistemas não garante automaticamente uma operação eficiente. 

Uma equipe pode utilizar mapas, aplicações, ArcGIS, ferramentas de campo e dashboards e ainda depender de mensagens, e-mails ou planilhas para descobrir quem precisa executar a próxima atividade. 

Quanto maior a operação, maior a importância de estruturar: 

quem faz o quê, em qual ordem, sob quais condições e o que acontece depois. 

Visibilidade também faz parte da eficiência 

Em operações complexas, não basta executar atividades. 

Também é necessário saber o que já aconteceu, o que está em andamento e onde existem gargalos. 

Mapas, dashboards e recursos de monitoramento em tempo real podem ampliar essa visibilidade. Mas os próprios processos também precisam gerar informações que permitam acompanhar responsáveis, etapas e status. 

Automação não significa retirar pessoas do processo 

Automatizar um fluxo de trabalho não significa substituir decisões humanas. 

Significa identificar atividades repetitivas que podem acontecer de forma padronizada para que profissionais concentrem seu tempo em análises, exceções e decisões que realmente exigem conhecimento técnico. 

  • Uma validação pode acontecer automaticamente. 
  • Uma atividade pode ser direcionada para determinada equipe. 
  • Uma aprovação pode liberar a próxima etapa. 
  • Uma inconsistência pode devolver o trabalho para correção. 

Assim, a automação ajuda a reduzir a dependência de acompanhamento manual. 

Da resposta emergencial aos processos que acontecem todos os dias 

Poucas organizações precisarão criar 17 aplicações em 30 dias. 

Mas muitas enfrentam diariamente desafios parecidos de coordenação. 

  • Uma concessionária precisa organizar inspeções de campo. 
  • Um município recebe solicitações que percorrem diferentes departamentos. 
  • Uma equipe GIS atualiza dados que precisam passar por revisão e controle de qualidade. 
  • Uma empresa de infraestrutura trabalha com profissionais internos, fornecedores e equipes externas. 

Nesses casos, existem mapas e dados geográficos, mas também existem pessoas, tarefas, regras, aprovações e prazos. 

Por isso, evoluir uma operação GIS não significa apenas adotar novas tecnologias. 

Também significa melhorar os fluxos de trabalho que conectam essas tecnologias. 

Onde entra o ArcGIS Workflow Manager? 

O episódio das enchentes não deve ser entendido como um case específico de uso do ArcGIS Workflow Manager. 

Ele demonstra algo mais amplo: a importância de conseguir conectar informações, aplicações e pessoas quando uma operação precisa responder rapidamente. 

Para processos recorrentes, essa coordenação pode ser estruturada de maneira mais sistemática. 

O ArcGIS Workflow Manager foi desenvolvido justamente para organizar, automatizar e acompanhar processos GIS e não-GIS, permitindo estruturar etapas, responsáveis, regras e status dentro de um mesmo fluxo de trabalho. 

Assim, atividades que hoje dependem de planilhas, e-mails ou acompanhamento manual podem evoluir para processos mais padronizados, rastreáveis e escaláveis. 

No próximo artigo, vamos aprofundar como essa automação funciona e onde ela pode ser aplicada. 

Perguntas frequentes 

O que é automação de processos GIS? 

A automação de processos GIS consiste em estruturar atividades relacionadas a dados geográficos, análises e aplicações para reduzir tarefas manuais e repetitivas por meio de regras, integrações, validações e outras ações automatizadas. 

O que é um fluxo de trabalho GIS? 

Um fluxo de trabalho GIS, ou GIS workflow, é uma sequência organizada de atividades envolvendo dados geográficos, mapas, análises ou aplicações GIS, com etapas, responsáveis, regras e condições definidas. 

Qual é a relação entre ArcGIS e automação de fluxos de trabalho? 

O ecossistema ArcGIS reúne aplicações para análise, edição, campo, visualização e gestão de informações geográficas. Soluções como o ArcGIS Workflow Manager acrescentam uma camada de gerenciamento e automação para coordenar como diferentes atividades acontecem ao longo de um processo. 

 

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