A inteligência geográfica tem se tornado um elemento central na gestão de projetos ambientais e de infraestrutura cada vez mais complexos.
Um exemplo recente vem do Brasil: a experiência da Ambientare Geotech foi destacada em um case study oficial publicado no site da Esri, referência mundial em tecnologia geoespacial.
O material apresenta como a empresa estruturou um ambiente corporativo baseado em ArcGIS Enterprise para organizar dados, análises e fluxos de trabalho relacionados a projetos ambientais e de infraestrutura em diferentes regiões do Brasil.
Mais do que uma evolução tecnológica, o projeto representa uma mudança na forma de estruturar informações territoriais, integrar equipes multidisciplinares e apoiar decisões baseadas em dados geoespaciais.

GIS no centro da gestão ambiental
A Ambientare atua em diferentes frentes da gestão de ativos e licenciamento ambiental, incluindo:
- Estudos de viabilidade para novos empreendimentos
- Licenciamento Ambiental
- Acompanhamento de Obras de implantação
- Execução de Condicionantes
- Monitoramentos Ambientais de ativos em operação
- Programas ambientais associados a grandes empreendimentos.
Para elaboração destes projetos conta com uma equipe multidisciplinar especialista em:
- Estudos e monitoramentos de Flora (inventários florestais, recomposição etc.)
- Estudos e monitoramento de Fauna (resgates, inventário, monitoramento etc.)
- Estudos de socioeconomia e impactos sociais (estudos em comunidades quilombolas, territórios indígenas, cadastros socioeconômicos, comunicação social etc.)
- Estudos arqueológicos (levantamentos, inventário, resgates etc.)
- Estudos e monitoramentos de meio físico (Ruído, processos erosivos, PRADs, poluição, limnologia etc.)
- Análises fundiárias (quantificação de propriedades, benfeitorias etc.)
Para lidar com projetos distribuídos por diferentes regiões do país, a empresa estruturou um ambiente GIS corporativo que centraliza dados, análises e atividades operacionais.
Cada projeto possui uma aplicação web própria, conectada ao portal geoespacial da organização.

Nesse ambiente, são realizadas etapas como diagnóstico ambiental, coleta de dados em campo, análises técnicas e geração de relatórios.
Esse modelo cria uma visão integrada do território e permite que diferentes especialistas trabalhem sobre a mesma base de dados.
Geotech: o núcleo de geotecnologia da Ambientare
A infraestrutura tecnológica que sustenta esse ambiente foi desenvolvida pela Geotech, núcleo especializado em geotecnologias que nasceu dentro da própria Ambientare.
A equipe é responsável por estruturar:
- bancos de dados geoespaciais
- aplicações web para projetos
- dashboards e painéis de acompanhamento
- scripts e automações de processos.
Hoje a Geotech conta com 26 profissionais técnicos especializados e, além de atender as demandas internas da Ambientare, também passou a apoiar outras organizações que buscam estruturar soluções baseadas em inteligência geográfica.
Duas visões do mesmo projeto
O portal geoespacial foi estruturado para atender diferentes perfis de usuários dentro da organização.
De um lado, existe uma visão estratégica, voltada para a gestão dos projetos e utilizada pelos cerca de 25 coordenadores responsáveis pelo acompanhamento das atividades.
Essa visão permite acompanhar rapidamente o status das ações, entender o contexto territorial e apoiar decisões operacionais.

Por outro lado, os especialistas acessam uma visão mais detalhada, com camadas técnicas e registros de campo necessários para análises específicas.
Esse modelo também permite aproveitar o conhecimento acumulado pela empresa ao longo dos anos, utilizando projetos anteriores como referência para novos estudos.
Um ambiente compartilhado entre diferentes áreas técnicas
Projetos ambientais costumam envolver múltiplas disciplinas trabalhando simultaneamente.
No portal geoespacial da Ambientare, profissionais que analisam temas como:
- territórios indígenas
- questões fundiárias
- engenharia
- biodiversidade
- impactos socioeconômicos
conseguem acessar as mesmas informações dentro de um único ambiente.

Em alguns projetos, o mapa interativo reúne mais de 350 camadas de informação, incluindo dados técnicos, registros de campo e camadas de referência territorial.
Como todo o sistema opera em nuvem, os especialistas podem acessar os dados diretamente no portal, gerar análises e exportar relatórios sem depender da equipe de GIS para preparar as informações.
Mais integração de dados e diagnósticos mais completos
Ao centralizar dados e análises em um ambiente geoespacial corporativo, a empresa ampliou sua capacidade de análise territorial.
A integração entre diferentes fontes de informação permite construir diagnósticos mais completos, combinando dados ambientais, sociais e operacionais.
Segundo a Ambientare, essa abordagem contribui para produzir relatórios mais consistentes e confiáveis, fortalecendo a tomada de decisão em projetos ambientais complexos.

Entrevista — Marcos Vilela
Diretor Executivo — Ambientare Geotech
Para entender melhor os bastidores dessa transformação digital, conversamos com Marcos Vilela, Diretor Executivo da Ambientare Geotech.
Quando a Ambientare percebeu que precisava transformar sua gestão de dados ambientais?
A Ambientare trabalha com diversas áreas da gestão ambiental, como arqueologia, flora, fauna, meios físicos e socioeconomia. São equipes multidisciplinares atuando simultaneamente em diferentes projetos.
Com o crescimento das operações, percebemos que era necessário organizar melhor essas informações e garantir que todos tivessem acesso aos mesmos dados. A estruturação de um portal GIS corporativo foi o caminho para integrar esses processos.
Como o portal mudou a forma de trabalhar entre coordenadores e especialistas?
Hoje temos cerca de 25 coordenadores de projetos que precisam acompanhar o andamento das atividades de forma estratégica.
Ao mesmo tempo, especialistas como biólogos, geógrafos e arqueólogos precisam acessar dados técnicos detalhados para realizar suas análises.
O portal permite atender esses dois níveis de uso: uma visão mais gerencial e outra mais analítica, conectadas à mesma base de dados.
O que muda para um especialista quando todos os dados estão organizados no portal?
Quando o profissional acessa o portal, ele encontra todas as informações do projeto em um único ambiente.
Isso inclui dados técnicos, camadas de referência territorial, registros de campo e ferramentas de análise.
Em alguns projetos trabalhamos com mais de 350 camadas de informação, e o fato de tudo estar organizado e disponível na nuvem facilita muito o trabalho das equipes.
Que impacto essa integração trouxe para a análise ambiental?
A integração de diferentes tipos de dados amplia bastante nossa capacidade de análise.
Conseguimos cruzar informações ambientais, territoriais e operacionais com mais facilidade, o que resulta em diagnósticos mais completos e relatórios mais confiáveis.
Isso fortalece muito a tomada de decisão nos projetos.
Quais são os próximos avanços para o portal?
Um dos próximos passos é usar inteligência artificial para automatizar processos que hoje ainda exigem muito trabalho manual, como a geração de relatórios ambientais.
Em muitos projetos acompanhamos até 12 programas ambientais ao longo de cerca de 15 meses, e vários deles exigem relatórios periódicos.
A ideia é que, a partir dos dados já estruturados no portal e dos dashboards disponíveis, possamos gerar esses relatórios automaticamente, permitindo que os especialistas se concentrem mais na análise técnica.

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