Para que um minério atenda os critérios exigidos pelo mercado, é preciso que ele passe pelo processo de beneficiamento, que consiste em uma série de etapas que possuem como objetivo separar e concentrar os minerais de interesse da parte que não possui valor econômico. Em certos casos, essa separação requer a utilização de água e a deposição desses materiais de baixo interesse comercial. Para armazenar esses resíduos, são construídas as barragens de contenção de rejeito, estruturas geotécnicas essenciais na indústria de mineração.

De acordo a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil possui 906 barragens de rejeito distribuídas majoritariamente nos estados de Minas Gerais, Pará, Mato Grosso e Bahia.

Dessas construções, 455 estão inseridas no Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), lei que tem como objetivo garantir que os padrões de segurança de barragens sejam seguidos a fim de reduzir a possibilidade de acidentes e suas consequências.

As barragens de rejeito são popularmente conhecidas por gerarem impactos socioambientais significativos e por estarem associadas a desastres, como as de Brumadinho e Mariana, causando um enorme desequilíbrio no ecossistema da região, danos à população local, além de grandes prejuízos financeiros às empresas detentoras dessas estruturas.

Diante dos métodos construtivos de barragens, a técnica que apresenta maior risco de rompimento é a montante, amplamente utilizada no Brasil e de menor custo. Porém, a menos indicada pelos especialistas devido ao seu baixo controle construtivo.

A partir de 2019, a legislação brasileira proibiu a construção de novas barragens de rejeito a montante e, algumas existentes, estão passando pelo processo de descaracterização e descomissionamento.

Um grande desafio de todos os envolvidos no setor mineral, instituições públicas, entidades privadas e sociedade civil, consiste em lidar com os riscos associados às barragens de rejeito, independente do seu método de construção.

A gestão inadequada dessas estruturas está entre as principais causas de rupturas, trazendo uma reflexão de que é preciso investir na melhoria de toda a cadeia de gerenciamento que compreende desde a escolha do método construtivo, até o comprometimento com as rotinas de inspeções e manutenção das instrumentações.

O setor vem se movimentando para a concretização desses desafios e, de acordo com a FIEMG, foi investido R$16,7 bilhões em segurança dessas construções nos últimos 3 anos.

Para que as mineradoras operem de forma cada vez mais segura, é preciso que conheçam e monitorem todas as variáveis envolvidas no risco à ruptura dessas estruturas, atuando principalmente de forma preventiva.

Há uma série de medidas regulatórias que precisam ser consideradas na rotina dessas empresas como o entendimento e modelagem de risco à rompimento, monitoramento dos instrumentos de medição, implantação de sistemas de alerta, mapeamento frequente das comunidades de entorno, entre outros.

A tecnologia GIS possui um papel fundamental na compreensão de toda a cadeia produtiva mineral, atuando como um centralizador de uma grande quantidade de dados de diversas fontes como escritório, campo, sensores, comunidade, entre outros.

Todo o dado que possui uma localização geográfica pode ser cadastrado, analisado e compartilhado através dessas ferramentas. Além disso, a utilização dessas tecnologias é fomentada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que aborda em seu Guia de Boas Práticas a importância da gestão da informação ao longo de todo o ciclo de vida dessas estruturas, concentrando todas as informações espaciais em um banco de dados geográfico.

O GIS oferece diversas possibilidades e recursos para otimizar e fazer uma gestão de barragens de forma eficiente:

  • Avaliação dos melhores locais para a implantação das barragens;
  • Centralizador de dados de diversas fontes e integração com diferentes sistemas/instrumentações de medição;
  • Aplicações de campo: inspeções rotineiras, registro dos níveis de leitura dos instrumentos, mapeamento de estruturas de instabilidade, cadastro da comunidade de entorno;
  • Uso de imagens de satélite para acompanhar deslocamentos;
  • Determinação das Zonas de Autossalvamento e Zonas de Segurança Secundária;
  • Apoio aos planos de emergência;
  • Comunicação com a comunidade e investidores;
  • Comunicação e compartilhamento interno de dados com todas as áreas envolvidas direta e/ou indiretamente na gestão das barragens.

É importante destacar que as mineradoras precisam lidar com um grande volume e complexidade de dados e, com isso, para uma gestão de risco eficiente e preditiva, a informação espacial se torna peça-chave entre as mais diversas áreas, e o ArcGIS se torna ferramenta essencial nesta rotina.

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