A gestão de obras públicas envolve múltiplas frentes — acompanhamento físico, medições financeiras, registros de campo e coordenação entre equipes.
No SEMAE de Mogi das Cruzes (SP), esse cenário passou a ser conduzido de forma mais integrada com o uso do ArcGIS Dashboards, criando uma nova forma de visualizar, acompanhar e tomar decisões sobre as obras em andamento.
Quando essas informações estão dispersas — em planilhas, PDFs, pastas locais ou sistemas isolados — o resultado é previsível: dificuldade de acompanhamento, retrabalho e decisões tomadas com base em dados fragmentados.
Foi exatamente esse cenário que motivou o SEMAE Mogi das Cruzes a repensar sua forma de acompanhar obras e serviços, adotando uma abordagem baseada em inteligência geográfica com o uso do ArcGIS Dashboards.
Mais do que centralizar dados, o objetivo passou a ser outro:
transformar informação em visão operacional clara e acionável.
Do dado disperso à visão integrada da obra
Antes da implementação, o principal obstáculo não era a falta de informação — mas sim o acesso e a organização dela.
Dados de obras estavam disponíveis, mas espalhados em diferentes formatos e locais. Isso dificultava responder perguntas simples, como:
- Qual o avanço real da obra?
- Quanto já foi executado financeiramente?
- Onde estão os principais pontos de atenção?
Com o uso do ArcGIS Dashboards, essas informações passaram a ser organizadas em um único ambiente visual, integrado ao território.
Hoje, o acompanhamento da obra deixa de ser apenas documental e passa a ser espacial, analítico e contínuo.
O papel do GIS na gestão de obras
Ao incorporar a dimensão geográfica, o acompanhamento de obras ganha contexto.
No caso do projeto de implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto no bairro Jardim Nove de Julho, o dashboard reúne:
- Localização da obra no mapa
- Indicadores financeiros (valor total, realizado e saldo)
- Percentuais de execução
- Estrutura detalhada por itens e subitens
- Registro fotográfico da execução
Essa combinação permite não apenas acompanhar números, mas entender o que está acontecendo no território — algo essencial para decisões mais precisas.
Muito além das obras: uma visão operacional integrada
Embora o dashboard de obras seja um dos destaques, ele faz parte de um ecossistema maior de monitoramento dentro do SEMAE Mogi das Cruzes.
A mesma lógica de integração de dados é aplicada em diferentes frentes operacionais, como:
- Qualidade da água dos rios
- Ocorrências de falta de água
- Vazamentos e reparos
- Serviços executados (hidrojateamento, limpeza de fossa, recapeamento)
- Consumo e faturamento
- Volume de esgoto
- Expansão e regularização de redes
Além disso, aplicações com ArcGIS Experience Builder apoiam atividades como cadastro e atualização de redes, gestão de empreendimentos e planejamento operacional.
O resultado é um ambiente onde diferentes áreas — técnico, água, esgoto e comercial — passam a trabalhar com a mesma base de informação, atualizada e compartilhada.
Decisão baseada em dados — e no território
Com os dashboards, a tomada de decisão deixa de ser reativa e passa a ser orientada por evidências.
Entre os principais impactos observados estão:
- Melhor priorização de obras e investimentos
- Redução de perdas no sistema de água
- Maior controle sobre ocorrências de esgoto
- Otimização do atendimento à população
- Apoio à análise de novos empreendimentos
Na prática, isso significa sair de um modelo operacional baseado em relatórios estáticos para uma gestão dinâmica, onde os dados ajudam a antecipar cenários.
Entrevista | Alexsandro de Oliveira Gomes, SEMAE
Para entender melhor a aplicação na prática, conversamos com Alexsandro de Oliveira Gomes, do Departamento Técnico do SEMAE.
1. Qual era o principal desafio na gestão de obras antes do uso do ArcGIS Dashboards?
O desafio era ter uma maneira mais fácil e rápida de enxergar as informações sobre as obras em andamento. Existiam muitas informações, mas estavam espalhadas em pastas, arquivos, planilhas e PDFs.
2. O que motivou a adoção de uma solução baseada em GIS para esse processo?
Foi um pedido de um colega da área de fiscalização de obras, que questionou se seria possível criar uma solução dentro do ArcGIS. Também tivemos como referência apresentações de dashboards de obras que nos inspiraram na construção do nosso painel.
3. Quais dados e informações hoje estão integrados no dashboard?
Hoje temos informações como o mapa do projeto, valores totais e realizados da obra, saldo, percentuais, fotos da execução, além de detalhamento por itens e subitens, com seus respectivos valores.
4. Como o ArcGIS Dashboards é utilizado no dia a dia e por quais áreas?
Utilizamos dashboards em várias frentes: qualidade da água, ocorrências, reparos, consumo, faturamento, entre outros. As informações são utilizadas pelos departamentos técnico, de água, esgoto e comercial.
5. Que tipo de decisões passaram a ser tomadas com base nessas informações?
Conseguimos tomar melhores decisões relacionadas a obras, redução de perdas no sistema de água, controle de ocorrências de esgoto, atendimento à população e análise de empreendimentos.
6. Quais foram os principais ganhos após a implementação?
Ainda não temos números consolidados, mas já percebemos ganhos na organização das informações e no apoio à tomada de decisão.
7. Para vocês, o que significa “ver além do hoje” na gestão de obras?
A plataforma ArcGIS tem ajudado muito o SEMAE. Hoje temos mais informações, de forma fácil e compartilhada, permitindo que diferentes áreas trabalhem com a mesma base e tomem decisões melhores.
A evolução do SEMAE Mogi das Cruzes
O caso do SEMAE mostra que a transformação na gestão de obras não começa necessariamente com mais dados, mas com melhor uso dos dados que já existem.
Nesse contexto, o ArcGIS Dashboards deixa de ser apenas um painel de visualização e passa a atuar como um elemento central na gestão de obras:
conectando dados, território e operação em tempo real.
