Gestão Geográfica de Ativos: Upstream, Midstream e Downstream 

Leandro Coutinho

Especialista de Marketing - Óleo & Gás

Conforme discutido nesse artigo, a Gestão Geográfica de Ativos é uma abordagem única para adicionar valor à sua operação com visão geográfica. 

Todas as organizações que atuam no mercado de óleo e gás têm desafios gigantescos associados aos seus processos diários de gestão.

No Brasil, esse mercado continua em processo de transformação e a entrada de novos players, decorrente da abertura de mercado, aumenta a competição interna. Por consequência, a busca por relatórios de inteligência que propiciem ganhos de eficiência e melhores margens tem sido cada vez mais intensa. 

Mas, de que forma esses relatórios são construídos? Como devem ser disponibilizados? Como validar se eles representam a melhor “fotografia” do status da sua companhia? E, acima de tudo, eles propiciam de fato tomadas de decisão mais assertivas? 

Segundo pesquisa Visão de Liderança para 2022 feita pelo Gartner, “46% dos líderes de infraestrutura e operações posicionam a diminuição de custos como uma das 3 prioridades para os próximos 12 meses. Obviamente, 70% planejam utilizar automação para alcançar essa otimização de custos.” 

Isso significa investimento em tecnologia. Mais uma vez, vimos neste artigo que as organizações do mercado de óleo e gás ainda estão no início desse processo. Dessa forma, a mesma pesquisa ressalta 3 estratégias que devem ser prioritárias para líderes de infraestrutura e operações.  

Resiliência 

Líderes de infraestrutura e operações devem apoiar a construção, integração e investimento em plataformas tecnológicas que fomentem o balanceamento entre resiliência e agilidade de forma a aprimorar soluções e a experiência do usuário onde ele estiver. 

Agilidade 

Líderes precisam se preparar para o aumento do número de usuários que estão fora do departamento de Tecnologia da Informação (TI) mas, capazes de criar soluções tecnológicas e analíticas. 

Esses usuários podem alcançar 41% do total de colaboradores das empresas. Além disso, as soluções criadas por esses usuários têm potencial para impactar atividades de outros 49% do total de colaboradores, considerados usuários finais de tecnologia. 

Dentre as necessidades fundamentais desses usuários estão: processamento em nuvem, análise avançada, agilidade na entrega de soluções e automação.

Governança 

Abaixo podem ser listados as características de uma organização de baixa maturidade na governança das suas informações: 

  • Silos de infraestrutura e informação;
  • Esboços de inventário;
  • Longo tempo de provisionamento;
  • Ênfase em processamento;
  • Muitos passos manuais;
  • Monitoramento reativo;

Em contraste, é possível enumerar exemplos de uma boa governança de informações: 

  • Tecnologias Self-Service;
  • Coordenação automática entre silos;
  • Inventários dinâmicos precisos;
  • Tempo mínimo de provisionamento;
  • Monitoramento com remediação automatizada.

As soluções contidas na Gestão Geográfica de Ativos foram criadas para integrar informações e adicionar inteligência, nutrindo ambientes colaborativos e corporativos. As soluções se adaptam à realidade do seu desafio de negócio criando processos ou aprimorando os que já existem. 

Escolha o subsetor da sua preferência e verifique como alavancar a eficiência do seu negócio. 

Upstream 

Em 2018, a FPSO Cidade Paraty produzia cerda de 120 mil barris de petróleo e mais de 4 mil m³ de gás por dia. Esse status de produção a posicionava entre as 10 maiores plataformas do Brasil. Mesmo assim, como em qualquer plataforma, paradas complexas para manutenção interrompem uma quantidade significativa dessa produção. 

Para contextualizar melhor, em 2016 foi publicado um estudo sobre o planejamento de parada programada dessa mesma plataforma, revelando que “o que foi acordado no planejamento e decidido durante e pós-parada, deixou o planejamento comprometido, pois foi gasto dinheiro, esforço e energia para válvulas de baixa prioridade, que não precisavam de parada, e deixou-se de planejar melhor outras tarefas importantes”. 

Sendo assim, para evitar multas contratuais, a empresa decidiu voltar com a produção em 50% durante os 5 dias após a parada. Somente dez dias após o início da parada que o navio voltou a operar com 100% de sua capacidade produtiva. 

Como resultado, houve um prejuízo não planejado de aproximadamente US$ 3.750.000,00.

Mesmo que o ano de 2016 pareça distante e essa notícia pareça pertencer a uma outra realidade, problemas dessa natureza ainda são percebidos em muitas plataformas de petróleo. Tanto nos eventos de parada programada quanto nas atividades diárias de operação. 

Como evitar imprevistos dessa natureza? 

A Gestão Geográfica de Ativos permite o monitoramento em tempo real dos colaboradores envolvidos na manutenção e o controle da equipe de campo utilizando mensagens peer-to-peer por dispositivos móveis. Tudo acompanhado por painéis orientados a mapas, compostos por indicadores capazes de comparar o tempo de duração de cada atividade com a estimativa de cumprimento de todas as ordens de serviço. 

Esses painéis são dinâmicos, disponíveis em nuvem ou dentro da infraestrutura da sua companhia. Portanto, as informações podem estar disponíveis para múltiplos agentes ao mesmo tempo, desde que sejam concedidas as devidas permissões. O acesso inclui o acompanhamento por imagens de circuito fechado de câmeras, se disponíveis. 

Vale ressaltar que todas essas informações ficam centralizadas no mapa, de forma que é possível identificar onde está sendo feita a manutenção e, com apenas alguns cliques no mapa, acompanhar a transmissão das imagens em tempo real. 

Dessa forma, ao identificar a inconsistência temporal por meio dos indicadores, é possível replanejar os esforços em tempo real.

O replanejamento e as alterações nas ordens de serviço podem ser realizados nos sistemas nativos das empresas e integrados à solução de Gestão Geográfica de Ativos. A partir daí, as informações podem ser consultadas em campo imediatamente e as dúvidas podem ser tiradas por meio da troca de mensagens dentro do sistema. 

No caso de algum acidente, dispositivos como crachás ou relógios inteligentes podem identificar comportamentos anômalos (como diferença brusca de altitude), disparando automaticamente alarmes visíveis nos mesmos painéis de acompanhamento ou através de mensagens disparadas para gestores ou ainda por e-mail. 

Uma vez identificado no mapa onde um determinado colaborador vítima de acidente se encontra, é possível identificar outros colabores próximos e a posição da equipe de resgate. Dessa forma, rotas de evacuação de pessoas e direcionamento de equipes de resgate podem ser criadas instantaneamente. 

Por fim, cercas eletrônicas podem ser criadas de forma manual ou automática, de forma que pessoas sem autorização sejam notificadas caso se aproximem do local em questão. 

Utilizando as mesmas premissas, sensores capazes de detectar anomalias (como mudanças bruscas de variáveis ou vazamentos) em equipamentos podem iniciar o mesmo processo descrito anteriormente. 

Independente se houve ou não algum evento indesejado, o acompanhamento do trabalho de inspeção pode estar apoiado por relatórios eletrônicos inteligentes, substituindo pranchetas e papel, evitando erros de digitalização, além de possibilitar o envio de fotografias anexadas e informações compiladas imediatamente para o sistema. 

Antes da parada para manutenção, imagens capturadas por câmeras 360º ou por drones podem ser processadas utilizando algoritmos de inteligência artificial para detectar previamente inconsistências. Uma vez identificadas pelo algoritmo, elas são posicionadas no mapa, de forma a orientar previamente o trabalho de inspeção, e assim tornar possível a navegação pelas imagens capturadas até os pontos identificados. 

O mesmo raciocínio ainda se aplica para as imagens e vídeos capturados por ROVs e AUVs submarinos. Eles são fontes ricas de informação onde podem ser identificados automaticamente sinais de abrasão, corrosão e erosão sobre os equipamentos submarinos.

Podem também ser identificados sinais de vida marinha ou sobreposição de dutos. Todas essas informações são insumos importantes para as atividades de manutenção e operação. 

Midstream 

A Gestão Geográfica de Ativos proporciona meios para ir além da conformidade ambiental e regulatória. Obviamente, essas atividades por si só podem tirar proveito da solução. Por exemplo, através da visualização do limite de todas as propriedades associadas à faixa de dutos.

O limite de cada propriedade fica visível em um mapa acompanhado de toda a documentação de cadastro, contratos e dividendos. 

Indicadores de gestão acompanham este mesmo mapa e cada mudança no banco de dados é automaticamente refletida na visualização. Dados de outras gerências e departamentos podem estar integrados e enriquecer a visualização (jurídico, auditorias, integridade, transporte de produtos…). A fusão de todas essas informações certamente causa um impacto positivo sobre a gestão fundiária da companhia. 

Dados ambientais e levantamentos realizados em campo aumentam a capacidade de gestão e geram novos insights (desde dados de inspeção até estimativas atualizadas do valor das propriedades do entorno). 

No entanto, o trabalho de gestão não se resume a isso. É possível obter uma visão completa das operações nos dutos com mapas e sistemas de interface muito amigável. 

A integração com sistemas de monitoramento em tempo real pode enriquecer a experiência de uso com dados de risco, associando símbolos e cores a aferições de pressão, velocidade de fluxo ou qualquer outra informação disponível. 

Em caso de inspeções, a integração com sistemas de geração de ordens de serviço agiliza o processo e posiciona todas as atividades demandadas com seus devidos status no mapa.

A partir daí, os colaboradores podem acessar as ordens de serviço por aplicativos móveis e gerar rotas de deslocamento otimizadas para ganhar tempo. As rotas podem incluir, inclusive, vias particulares, criadas previamente e indisponíveis em sistemas de navegação habituais. 

No escritório, gestores acompanham o deslocamento de cada colaborador em tempo real, registrando no banco de dados o momento de chegada e saída ao local de inspeção e estimando automaticamente o tempo investido em cada atividade. 

Os próprios relatórios de inspeção podem ser eletrônicos e inteligentes. Acessados por dispositivos móveis ou navegadores web e apresentando perguntas específicas em função de respostas prévias inseridas pelo colaborador. 

Fotografias já vão associadas ao preenchimento do formulário, que podem ser imediatamente enviados de volta ao escritório (totalmente integrados ao sistema) ou enviados em lote, caso haja dificuldades de conexão. 

Opcionalmente (principalmente ao se deparar em ambientes fechados), pode-se utilizar câmeras 360º de forma a possibilitar a compilação e posterior navegação imersa nas imagens de forma síncrona à navegação no mapa.

A inspeção por drones pode ser planejada em campo ou no escritório e executada de forma automática.

O processamento das imagens coletadas é feito na nuvem (em média 200 imagens por hora) gerando produtos como perfil do terreno, nuvens de pontos e objetos 3D. Dessa forma, construções irregulares, escavações, vegetação e outras ocorrências podem ser identificadas visualmente ou com o auxílio de algoritmos de inteligência artificial. 

Por fim, a gestão de integridade em muitas vezes é atualizada em função de eventos. Esses eventos são registrados em função da quilometragem dos dutos e, muitas vezes, desencadeiam novas atividades.

Em termos mais práticos, ao adotar a Gestão Fundiária de Ativos, é possível visualizar no mapa de forma organizada registros atuais, históricos de todos os eventos, projetos de engenharia e a situação atual comparada ao projeto de construção. Tudo orientado pela quilometragem do duto.

Esses registros são dinâmicos, de forma que uma alteração no traçado do duto atualiza automaticamente no banco de dados as referências de distância. 

Inclui-se, neste contexto, os relatórios de lançamento de PIGs, posicionando no mapa a quilometragem de cada registro feito durante o trabalho de inspeção. 

Modelos preditivos podem ajudar a estimar desgaste de peças, simular impactos erosivos e outros eventos climáticos. Essas informações podem apoiar times de resposta à emergência e ajudar a organizar o posicionamento de equipamentos de suporte. O próprio inventário atualizado de equipamentos pode compor o conjunto de informações visíveis. 

Também é possível realizar simulações do tipo tracing de forma a identificar, por exemplo, todas as instalações impactadas pelo eventual fechamento de uma válvula. O resultado das simulações é visualizado simultaneamente no mapa e em um diagrama dinâmico. Prático, não? 

Downstream 

No mês de março de 2022, uma nova base de abastecimento foi inaugurada no porto de Itaqui, localizado no litoral do Maranhão. A nova base tem capacidade para movimentar 1,5 bilhão de litros de combustíveis por ano e pode armazenar até 80 milhões de litros gasolina A, Diesel S10 e S500. Trata-se de um investimento de R$ 200 milhões. 

A inauguração do terminal de Itaqui é um importante marco logístico e econômico para o país, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.” 

As vantagens da digitalização da cadeia de suprimentos já foram discutidas neste artigo. Mas, obviamente, um investimento dessa ordem de grandeza demanda atividades frequentes de manutenção.

Os tanques de armazenamento e dutos de movimentação de produtos, por exemplo, precisam estar livres de corrosão para que não haja vazamentos e riscos de acidentes. 

O mesmo raciocínio é válido para unidades de produção de derivados de petróleo. Suas instalações precisam de monitoramento constante em cada fase da linha de produção. 

Para isso, algumas soluções voltadas para instalação e monitoramento de sensores em tempo real são utilizadas e outras soluções especializadas no despacho e manutenção de ordens de serviço organizam o trabalho de equipes de campo, que seguem validando as condições dos equipamentos e determinando troca de peças. 

Em boa parte dos casos, todas essas atividades são executadas em processos separados, dependentes de muitas atividades manuais até que as informações estejam de fato prontas para serem consultadas e gerem valor para tomadas de decisão. 

Em que região geográfica do ativo está o maior número de ordens de serviço voltadas para troca de peças? Em que ponto está sendo necessário antecipar serviços de manutenção? Qual a correlação das ordens de serviço com o histórico de aferição feita pelos sensores de monitoramento? É possível observar isso em conjunto com condições climáticas? Quais outros equipamentos estão conectados a uma peça defeituosa? Qual impacto na produção? E quais outros equipamentos não estão conectados, mas estão próximos à peça que está sendo avaliada? Qual o inventário de peças disponível? Em caso de aquisição emergencial, onde está o fornecedor mais próximo? 

Na Gestão Geográfica de Ativos é possível responder a todas essas perguntas de forma intuitiva, integrando dados de múltiplos departamentos e diversas soluções tecnológicas, permitindo consultar em um único local todas as informações necessárias para proteger ativos e melhorar a eficiência dos equipamentos.  

Relatórios e painéis dinâmicos ficam disponíveis em minutos, para toda a corporação com toda a segurança necessária, acessado pelo navegador web e em dispositivos móveis. Com o acréscimo do poder de visualização diferenciado proporcionado pelos mapas. 

A questão ESG também faz parte da gestão eficiente. Nesse sentido, a inspeção remota feita por drones nas partes internas e externas das instalações permitem diminuir drasticamente a necessidade de posicionar colaboradores em atividades de risco. 

Utilizando a Gestão Geográfica de Ativos, as imagens geradas dessa forma são processadas rapidamente e permitem a identificação de inconsistências como corrosão, mal funcionamento aparente, vazamentos e quaisquer outras inconsistências que possam ser identificadas visualmente ou através do treinamento de algoritmos de inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, permite a construção de um mosaico de imagens atualizado, nuvens de pontos, a modelagem de superfície da região e mesmo a criação de objetos 3D. 

Todas as informações relevantes identificadas são posicionadas diretamente no mapa (2D e 3D) e passam a integrar o conjunto de dados compartilhando o mesmo contexto geográfico. 

Em caso de acidente, colaboradores monitorados em tempo real por relógios ou crachás inteligentes são orientados pela melhor rota de evacuação.

Cercas eletrônicas podem ser criadas em instantes, emitindo alertas para pessoas desautorizadas. 

Modelos de dispersão podem ser criados para estimar o deslocamento de partículas específicas em conjunto com dados de ventos, relevo, temperatura e umidade para citar alguns.

Gestão mais Eficiente e Colaborativa: do poço ao posto 

Os exemplos descritos acima não limitam as possibilidades de uso da Inteligência Geográfica. As soluções contidas nessa forma de gestão são amplas o suficiente para se adaptarem a qualquer modelo de negócio. 

A digitalização dos ativos através de gêmeos digitais (Digital Twins) já está consolidada como método imprescindível para tornar a cadeia produtiva mais eficiente e segura. 

A Gestão Geográfica de Ativos vai além, integrando processos e pessoas. Seja através da captura da realidade, do monitoramento de ativos e de colaboradores, da análise e predição de eventos ou do compartilhamento e colaboração de informações. 

Acrescenta, ainda, a capacidade de utilizar o poder da inteligência geográfica para ajudar a determinar onde as coisas estão, como se relacionam, qual o significado do relacionamento e qual a melhor decisão a tomar. 

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